Mercado BR

Os 3 bairros de SP que subiram 40% enquanto ninguém olhava

Em meio à queda da Selic, o metro quadrado em Perdizes, Moema e Tatuapé disparou 40% no trimestre. Veja os números e se ainda há oportunidade.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Os 3 bairros de SP que subiram 40% enquanto ninguém olhava

O mercado imobiliário paulistano vive um momento de euforia silenciosa. Enquanto os holofotes se voltam para o lançamento de novos empreendimentos de alto padrão na Faria Lima, uma pesquisa divulgada nesta semana pela Secovi-SP mostra que três bairros tradicionais da capital registraram uma valorização média de 40% no metro quadrado no segundo trimestre de 2026, muito acima da média nacional de 12% apurada pelo FipeZap.

Os dados, que compõem o Índice de Valorização Imobiliária da Secovi, foram coletados com base nos preços efetivamente praticados em vendas de imóveis residenciais entre abril e junho. Segundo o levantamento, Perdizes lidera o ranking com alta de 42,3%, seguido por Moema (41,8%) e Tatuapé (39,7%). O que explica esse movimento? Especialistas ouvidos pela reportagem apontam para uma combinação de fatores: a queda da taxa Selic, que reduziu o custo do financiamento, e a escassez de terrenos disponíveis nessas regiões, que elevou a disputa por unidades prontas.

"O Copom cortou a Selic em 0,5 ponto percentual na reunião do início de agosto, para 9% ao ano. Isso derrubou os juros dos financiamentos imobiliários para a casa de 7,5% ao ano nos bancos privados, o que ampliou o poder de compra das famílias", explica Carlos Eduardo Oliveira, economista-chefe da Abrainc. "Além disso, bairros como Perdizes e Moema têm uma demanda reprimida enorme, com famílias que buscam apartamentos maiores para home office e proximidade com serviços."

O reflexo desse aquecimento já aparece nos números de vendas: no segundo trimestre, foram comercializadas 12.340 unidades na capital, um aumento de 18% em relação ao trimestre anterior, conforme dados da B3 e da Abrainc. O valor médio do metro quadrado em Perdizes chegou a R$ 12.500, enquanto em Moema alcançou R$ 13.800 e no Tatuapé, R$ 11.900. Para se ter ideia, no mesmo período de 2025, esses bairros registravam valores entre R$ 8.000 e R$ 9.500.

Vídeo relacionado

Mas será que ainda há oportunidade para quem não comprou antes? Analistas ponderam que o ritmo de alta deve arrefecer nos próximos meses, mas que a tendência de valorização estrutural permanece. "O custo de construção subiu 6% no semestre, e a oferta de terrenos continua escassa. Isso tende a sustentar os preços, mesmo com um possível aumento de lançamentos no último trimestre", afirma Renata Siqueira, diretora da Secovi-SP. "Para o investidor, o momento é de avaliar com cuidado o preço de entrada, pois o ciclo de alta forte já passou, mas a renda com aluguel nessas regiões segue atrativa, com retornos anuais de 5% a 6%."

Enquanto isso, o mercado de imóveis usados também se aquece. Uma família que comprou um apartamento de dois quartos em Perdizes por R$ 800 mil no início de 2025, hoje encontra o mesmo imóvel avaliado em R$ 1,1 milhão, uma valorização de 37,5% em apenas 18 meses. Casos como esse se multiplicam nos três bairros, alimentando a percepção de que a valorização veio para ficar.

Para quem deseja ingressar nesse mercado, a recomendação dos especialistas é pesquisar bem e contar com uma assessoria local. "O momento é bom, mas exige cautela. É preciso comparar preços, verificar a liquidez e, se possível, negociar à vista ou com entrada alta para garantir descontos", finaliza Oliveira. Com a Selic em trajetória de queda e a economia brasileira crescendo 2,8% no segundo trimestre, o setor imobiliário deve seguir como um dos principais vetores de investimento no país até o fim do ano.

#valorização imobiliária#bairros de SP#mercado imobiliário
0 comentário(s)

Comentários

para comentar.

    Continue lendo