Curiosidades

O imposto que bilionários pagam para comprar casas em Dubai — e que ninguém fala

Enquanto o Brasil discute reforma tributária, Dubai criou um tributo de 4% que já rendeu R$ 12 bilhões em 2026. Entenda como isso muda o jogo para investidores brasileiros.

Redação Perspectiva Imobiliária·
O imposto que bilionários pagam para comprar casas em Dubai — e que ninguém fala

Esta semana, o Departamento de Terras de Dubai divulgou um dado que passou batido no noticiário brasileiro: a arrecadação com o imposto de transferência imobiliária — de 4% sobre o valor da compra — já soma R$ 12 bilhões em 2026, um recorde histórico. O número, que equivale a quase 40% de todo o orçamento da cidade para infraestrutura, tem chamado a atenção de investidores que buscam diversificação internacional.

Segundo relatório do banco UBS, divulgado neste mês, Dubai deve fechar o ano com US$ 5 bilhões em negócios imobiliários destinados a estrangeiros, impulsionados por brasileiros que veem no Oriente Médio uma alternativa ao mercado local. "A taxação de 4% é pequena perto do Brasil, onde o ITBI pode passar de 3% e ainda há custos de cartório e registro", explica a advogada tributária Marina Salles, do escritório Salles & Associados.

A curiosidade é que esse imposto, criado em 2013, foi justamente o que financiou o boom imobiliário de Dubai. Em 2025, a arrecadação cresceu 18% em relação ao ano anterior, segundo o Data Center da cidade. Neste trimestre, o preço médio do metro quadrado em bairros nobres como Palm Jumeirah e Dubai Marina atingiu US$ 8.500 (cerca de R$ 46 mil), superando bairros como o Jardim Paulista, que registrou média de R$ 15 mil, de acordo com o FipeZap.

Para o investidor brasileiro, o que chama atenção é a combinação de imposto baixo com ausência de imposto sobre ganho de capital para quem revende após dois anos. "É um dos regimes mais atrativos do mundo", afirma Salles. Mas ela alerta: "É preciso considerar a volatilidade do dirham, que é atrelado ao dólar, e a burocracia de remessas internacionais, que ainda é um entrave para muitos clientes."

Vídeo relacionado

Enquanto isso, no Brasil, a reforma tributária aprovada pelo Congresso no fim de 2025 prevê alíquota de 3,5% para o ITBI até 2027, mas ainda depende de regulamentação. O Copom, no último encontro de junho, manteve a Selic em 10,5% ao ano, o que torna o financiamento imobiliário menos atraente que o de Dubai, onde taxas de hipoteca giram em torno de 4,5%.

A dica dos especialistas é: antes de embarcar em qualquer negócio internacional, pesquise os custos totais. "O imposto de 4% é só a ponta do iceberg", diz Salles. "Existem taxas de manutenção, condomínios de luxo e a necessidade de um bom advogado local." Mas, para quem tem capital e apetite por risco, Dubai se consolida como um dos mercados mais curiosos e lucrativos do planeta.

Fique de olho: em setembro, o governo local deve lançar novas regras para o mercado de imóveis de luxo, que podem abrir novas oportunidades para estrangeiros. E nós, aqui no Perspectiva Imobiliária, vamos acompanhar tudo.

#dubai#imposto imobiliário#investimento internacional#mercado imobiliário#recordes
0 comentário(s)

Comentários

para comentar.

    Continue lendo