Nova regra do FGTS Futuro reduz entrada em até R$ 30 mil; veja quem ganha
Medida publicada nesta semana pelo governo amplia uso do FGTS Futuro na compra do primeiro imóvel. Entenda o impacto no financiamento, quem pode usar e o que muda no seu bolso.

O governo federal publicou nesta semana a nova regulamentação do FGTS Futuro, ampliando o uso do saldo do Fundo de Garantia no financiamento imobiliário. A medida, que entra em vigor em 30 dias, permite que trabalhadores com carteira assinada usem até 30% do valor das parcelas futuras para abater o saldo devedor ou reduzir a entrada do imóvel. Para quem ganha até R$ 4.400, o benefício pode representar uma redução de até R$ 30 mil no valor necessário para a entrada, segundo cálculos da Abrainc.
A novidade foi anunciada pelo Ministério do Trabalho e Emprego após negociações com a Caixa Econômica Federal e o setor imobiliário. A expectativa é que a medida injete cerca de R$ 12 bilhões em novos financiamentos neste semestre, segundo projeções da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A medida também amplia o prazo de utilização do FGTS Futuro para 360 meses, ante 240 meses antes permitidos, o que reduz a parcela mensal em até 18% para contratos de até 30 anos.
O impacto já é sentido no mercado. Dados do Banco Central divulgados nesta semana mostram que a procura por financiamento imobiliário cresceu 9,2% no mês de julho, o maior avanço desde 2024. Corretores de imóveis em São Paulo e no Rio de Janeiro relatam aumento de consultas sobre o FGTS Futuro, especialmente entre jovens de 25 a 34 anos. "A medida desbloqueia um público que antes não tinha renda comprovada suficiente para a entrada", afirma a economista-chefe da Secovi-SP, Marina Andrade, em entrevista ao Perspectiva Imobiliária.
Especialistas alertam, no entanto, para os riscos. O uso do FGTS Futuro reduz a poupança do trabalhador para a aposentadoria ou para momentos de demissão, já que o saldo é comprometido antecipadamente. Além disso, a medida vale apenas para imóveis de até R$ 350 mil, o que exclui grande parte dos lançamentos em capitais como São Paulo e Rio. A Caixa deve exigir que o trabalhador tenha pelo menos 12 meses de saldo ativo no fundo e que não tenha usado o FGTS para outro financiamento nos últimos cinco anos.
O mercado já projeta impacto na próxima reunião do Copom, marcada para setembro. Com o aumento da demanda por crédito, analistas do Itaú BBA preveem pressão sobre a taxa de juros, que deve permanecer estável em 10,5% ao ano. O setor imobiliário, porém, comemora: "É a política pública mais efetiva desde o Minha Casa Minha Vida", avalia o presidente da Abrainc, Luís Antônio França. A expectativa é que a nova regra gere 150 mil novos empregos na construção civil até o fim de 2026, segundo o SindusCon-SP.
Para quem pretende usar o FGTS Futuro, a recomendação é simular o financiamento antes da vigência, para entender o impacto na entrada e nas parcelas. A Caixa disponibilizará um simulador online a partir da próxima segunda-feira. Além disso, é importante comparar com outras linhas, como o financiamento com saldo do FGTS (que continua válido) e o programa Casa Verde e Amarela, que tem subsídios maiores para famílias de baixa renda. A medida, no entanto, é um alívio para quem estava travado no mercado diante da alta dos preços.
Enquanto isso, o governo estuda uma segunda fase da regulamentação, que permitiria o uso do FGTS Futuro também para a reforma de imóveis. A proposta deve ser enviada ao Congresso no próximo mês. Se aprovada, pode destravar um mercado de R$ 40 bilhões, segundo estimativas do setor. Até lá, a dica dos especialistas é clara: aproveite a janela de 30 dias para planejar a compra, mas sem comprometer a reserva de emergência. O FGTS é um direito do trabalhador, mas usar o futuro exige cautela.


