Política

Nova regra do FGTS corta subsídio em 15%; veja quem perde

A Caixa confirmou nesta semana o fim do desconto de 15% na taxa para quem usa FGTS Futuro. Simulações mostram quem ainda consegue financiar e quanto a parcela pode subir.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Nova regra do FGTS corta subsídio em 15%; veja quem perde

A partir de 1º de setembro, o financiamento imobiliário com uso do FGTS Futuro terá uma mudança importante: a Caixa Econômica Federal deixará de aplicar o desconto de 15% na taxa de juros para novos contratos. A medida, confirmada nesta semana pelo banco, foi anunciada junto com a revisão das regras do programa, que agora prioriza famílias com renda bruta de até R$ 4,4 mil.

Segundo a Abrainc, a medida deve reduzir em cerca de 12% o número de famílias aptas a financiar pela faixa de renda média. A justificativa do governo é reequilibrar o orçamento do FGTS, que neste ano destinou R$ 42 bilhões ao programa. O impacto prático, porém, é direto no bolso: em um financiamento de R$ 300 mil em 30 anos, a parcela mensal pode subir de R$ 2.180 para R$ 2.490, variação de mais de 14%.

A nova regulamentação também altera o percentual máximo do valor do imóvel que pode ser financiado com FGTS Futuro: caiu de 70% para 60% na avaliação do banco. Ou seja, o comprador precisará dar uma entrada maior. Para quem já contratou o financiamento antes de 1º de setembro, o subsídio está garantido até o fim do contrato. Mas quem está em fase de aprovação de crédito precisa correr, pois a análise demora em média 20 dias úteis.

O economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, avalia que a medida é uma resposta à alta da inadimplência no setor, que subiu para 3,8% no segundo trimestre deste ano, e ao custo crescente dos subsídios. "O FGTS Futuro era um instrumento poderoso, mas o governo precisou ajustar o alcance para não comprometer a sustentabilidade do fundo", afirma.

Para quem ainda pretende usar o FGTS Futuro, a recomendação é simular com as novas condições e avaliar se o encaixe no orçamento continua viável. Alternativas como o Casa Verde e Amarela — que segue com taxa de 8,5% ao ano para renda de até R$ 4,4 mil — podem ser mais vantajosas. No último Copom, a Selic ficou em 11,75%, o que mantém as taxas de mercado pressionadas, mas ainda atrativas para quem tem bom relacionamento com o banco.

Outro ponto da nova regra é a exigência de que o comprador tenha pelo menos 12 meses de saldo no FGTS e tenha contribuído nos últimos 6 meses. Isso exclui trabalhadores informais e recém-formais. Especialistas ouvidos pelo portal alertam que a medida pode reduzir o ritmo de vendas de imóveis de até R$ 350 mil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde o programa era mais utilizado.

A Caixa informou que vai intensificar as ações de educação financeira e que estuda novas modalidades para o segundo semestre. Para o corretor que atua em áreas populares, o momento é de readequação: "Quem não se programar, vai perder o negócio", diz João Batista, que trabalha em São Paulo. A dica final: se você está em dúvida, feche o contrato antes de 1º de setembro, mas leia as cláusulas com atenção — o subsídio pode ser revisto também para contratos antigos em caso de mudança na renda.

#FGTS Futuro#financiamento imobiliário#Caixa Econômica#subsídio#taxa de juros
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