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Minha Casa Minha Vida: Congresso aprova teto de R$ 350 mil em 2026

Nova faixa de renda familiar de até R$ 8 mil amplia acesso, mas mercado teme alta de preços nos imóveis populares. Saiba quem sai ganhando.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Minha Casa Minha Vida: Congresso aprova teto de R$ 350 mil em 2026

O Congresso Nacional aprovou nesta semana a ampliação das faixas de renda do programa Minha Casa Minha Vida, elevando o teto para financiamento de imóveis novos para R$ 350 mil. A medida, que entra em vigor em 60 dias, beneficia famílias com renda bruta de até R$ 8 mil, antes limitadas a R$ 7 mil. A mudança foi celebrada por incorporadoras, mas gera preocupação com pressão inflacionária sobre os imóveis de menor valor.

De acordo com a Abrainc, a nova faixa deve injetar cerca de R$ 12 bilhões em novos financiamentos ainda no segundo semestre de 2026. O setor estima que pelo menos 150 mil novas famílias serão elegíveis ao programa, que já responde por 38% dos lançamentos imobiliários no país, segundo dados da Secovi-SP. 'O aumento do teto é uma resposta à alta dos custos de construção, que subiram 9,4% no acumulado de 12 meses até junho', afirma a economista-chefe da Abrainc, Marina Sampaio.

No entanto, especialistas alertam para o risco de 'crowding-out': ao ampliar a demanda sem aumentar a oferta, a medida pode elevar os preços dos imóveis enquadrados no programa. Levantamento do FipeZap mostra que, no trimestre encerrado em julho, o preço médio do m² nas capitais subiu 2,1%, e a expectativa é de aceleração nos próximos meses. 'O teto de R$ 350 mil hoje equivale a um imóvel de 50 m² em cidades como São Paulo e Rio, onde o m² médio está em R$ 11,2 mil', explica o consultor imobiliário Paulo Henrique.

A decisão do Congresso também altera os subsídios para famílias de baixa renda (Faixa 1), que passam a ter prioridade no uso do FGTS. Conforme o Banco Central, a taxa de juros para a Faixa 1 permanece em 4,5% ao ano, mas o limite de renda subiu de R$ 2,4 mil para R$ 2,6 mil. 'Com a Selic em 14,75% ao ano, a diferença entre o financiamento subsidiado e o de mercado pode chegar a 10 pontos percentuais, o que torna o programa ainda mais atrativo', destaca a analista política Beatriz Lopes.

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Para o governo, a medida é essencial para reduzir o déficit habitacional de 5,8 milhões de moradias, conforme estimativas de 2025. O ministro das Cidades afirmou em entrevista coletiva nesta quarta-feira que a meta é contratar 2 milhões de unidades até 2028, com investimento total de R$ 200 bilhões. 'Essa ampliação corrige uma defasagem histórica e garante que a classe média baixa não fique de fora', disse o ministro.

Por outro lado, o mercado financeiro reage com cautela. Analistas da Anbima apontam que o aumento do teto pode pressionar a dívida pública, já que cerca de 70% dos subsídios vêm do Orçamento. A votação no Senado foi apertada: 41 votos a favor e 39 contra, refletindo divergências sobre o impacto fiscal. O relator do projeto, senador João Almeida, defendeu a medida como 'um investimento no futuro do país'.

Para quem pensa em comprar um imóvel, a recomendação dos especialistas é agir antes da entrada em vigor da nova regra. 'Com a alta esperada nos preços, quem se enquadra na nova faixa deve aproveitar as condições atuais, que incluem financiamento de até 90% do valor do imóvel pela Caixa Econômica Federal', orienta a consultora de investimentos Carla Mendes. 'O momento é único, mas é preciso pesquisar bem para não pagar o 'sobrepreço' da demanda aquecida.'

Em resumo, a decisão do Congresso representa um marco para a política habitacional brasileira, mas os efeitos sobre os preços dos imóveis só serão sentidos nos próximos trimestres. Acompanhe nossas análises para saber como essa mudança impacta seu bolso e suas estratégias de investimento.

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