MCMV fecha julho com 412 mil unidades contratadas; alta de 23% no ano
Programa social dispara no Norte e Nordeste, mas caixa do FGTS já acende alerta no setor. O que isso significa para quem vai financiar?

O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) registrou em julho a contratação de 412 mil unidades, um avanço de 23% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados nesta semana pela Abrainc e pelo Ministério das Cidades. O resultado é o melhor para o mês desde 2014, antes do teto do programa ter sido reduzido.
O desempenho foi puxado principalmente pelas faixas 1 e 2, que concentram famílias com renda de até R$ 4,4 mil. No Norte e no Nordeste, as contratações cresceram, respectivamente, 38% e 31% no acumulado do ano, refletindo a ampliação do subsídio médio, que subiu de R$ 55 mil para R$ 62 mil em março, após o reajuste do programa.
Apesar do otimismo, o setor já começa a observar com atenção o orçamento do FGTS. No primeiro semestre, os desembolsos para habitação somaram R$ 38,7 bilhões, alta de 29% ante o mesmo período de 2025, o que levou a Caixa Econômica Federal a revisar, neste mês, a projeção de gastos para o ano de R$ 80 bilhões para R$ 92 bilhões. A preocupação é que, no quarto trimestre, o banco reduza o ritmo de liberação de recursos para novas contratações, como já ocorreu em outros ciclos.
Para quem está pensando em financiar um imóvel, o cenário ainda é favorável, mas exige atenção ao calendário. A taxa média do crédito imobiliário com recursos do FGTS está em 8,99% ao ano, segundo o Banco Central, ainda abaixo da taxa de mercado, de 10,5%. No entanto, a alta da Selic no último Copom, que passou para 12,25% ao ano, já começa a pressionar as taxas dos bancos privados, que repassaram parte do aumento nas últimas semanas.
Outro ponto que pode impactar o mercado é a votação, prevista para setembro, da MP que amplia o uso do FGTS para amortização de financiamentos existentes. Se aprovada, a medida pode injetar até R$ 40 bilhões no setor, mas também reduzir a arrecadação do fundo, que financia o MCMV. A Caixa já sinalizou que, em caso de aprovação, será necessário um aporte extra do Tesouro para manter o ritmo atual de contratações.
Para o comprador de imóvel novo, a orientação dos especialistas é aproveitar as condições atuais enquanto houver orçamento do FGTS disponível. Com a demanda aquecida, os prazos de análise de crédito estão maiores, chegando a 30 dias úteis em algumas regiões. Além disso, a alta dos materiais de construção, de 4,2% no trimestre, deve repassar o custo para o preço dos imóveis nos próximos meses, reduzindo o poder de barganha de quem esperar até o fim do ano.
No balanço geral, o MCMV segue como o principal motor do mercado imobiliário brasileiro, respondendo por 61% das vendas de imóveis novos no primeiro semestre, de acordo com a Secovi-SP. A expectativa do governo é fechar 2026 com 480 mil unidades contratadas, mas o cenário fiscal pode forçar uma revisão. O que é certo é que, para quem tem perfil de renda compatível, o momento de entrar no programa é agora, antes que as condições de crédito apertem.


