MCMV 2026: prazo extra de 60 dias para obras e FGTS ampliado; veja o impacto
Nova resolução do Conselho Curador do FGTS libera 10% a mais no financiamento e estende o cronograma de obras do Minha Casa, Minha Vida. Entenda como isso afeta quem vai comprar imóvel na planta.

O Minha Casa, Minha Vida (MCMV) ganhou um novo fôlego nesta semana. Em reunião realizada na última terça-feira (17/08), o Conselho Curador do FGTS aprovou uma resolução que amplia em 60 dias o prazo para a conclusão de obras financiadas pelo programa, além de aumentar em 10 pontos percentuais o limite de utilização do FGTS para pagamento de parcelas do financiamento imobiliário. A medida vale para contratos assinados a partir de 1º de setembro de 2026.
Segundo dados da Abrainc divulgados nesta quinta-feira (19/08), o MCMV respondeu por 72% dos lançamentos imobiliários no primeiro semestre de 2026, com 214 mil unidades vendidas. Com a nova regra, a entidade estima que as vendas na planta possam crescer até 15% no trimestre atual, já que o comprador terá mais segurança sobre o prazo de entrega das chaves.
A resolução também mexe no bolso de quem já tem contrato ativo. Antes, o comprador podia usar até 80% do saldo do FGTS para amortizar ou liquidar o saldo devedor. Agora, esse limite sobe para 90%, o que pode reduzir significativamente o valor das parcelas para quem tem saldo acumulado. O economista-chefe da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), João Paulo Ramos, avalia que a medida é uma resposta ao aumento da Selic, que subiu 0,5 ponto percentual na reunião do Copom de 12 de agosto, elevando a taxa básica para 13,25% ao ano.
Para as construtoras, o prazo extra de 60 dias é um alívio. A Secovi-SP, em levantamento divulgado neste mês, apontou que 34% dos empreendimentos do MCMV na capital paulista atrasaram a entrega por conta de custos de materiais e escassez de mão de obra qualificada. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Batista, afirmou que a medida "evita distratos e dá fôlego para as obras em andamento".
O impacto prático para o comprador da planta é duplo: mais tempo para o banco liberar o recurso e uma janela maior para quitar dívidas com desconto no FGTS. No entanto, é preciso atenção: a ampliação do limite do FGTS não vale para financiamentos de imóveis usados, somente para os enquadrados no MCMV. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal já confirmaram que vão atualizar os sistemas até o dia 28 de agosto.
Especialistas recomendam que quem está pensando em comprar um imóvel na planta neste segundo semestre aproveite a janela de condições favoráveis, mas faça uma simulação detalhada. "O momento é bom para quem tem saldo no FGTS, mas o tomador precisa ficar atento à taxa de juros final, que ainda é influenciada pela Selic", alerta o consultor financeiro Marcelo Nascimento, em nota enviada à imprensa. A expectativa é que o mercado imobiliário feche 2026 com crescimento de 12% nas vendas, puxado pelo MCMV.


