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MCMV 2026: 40% das chaves entregues este ano custam até R$ 150 mil

A nova faixa do programa aprovada no Congresso em agosto já mudou o preço máximo dos imóveis. Veja quem ganha com o reajuste de 18% e o que muda no seu financiamento.

Redação Perspectiva Imobiliária·
MCMV 2026: 40% das chaves entregues este ano custam até R$ 150 mil

O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) vive um de seus momentos mais transformadores desde o lançamento em 2009. Nesta semana, o Congresso derrubou o veto presidencial que limitava o reajuste das faixas de renda e do valor dos imóveis elegíveis, o que, na prática, ampliou em até 18% o teto de preço para as unidades vendidas dentro do programa. Segundo dados da Abrainc, as incorporadoras que atuam no segmento econômico já direcionam 40% das entregas deste ano para imóveis de até R$ 150 mil — um reflexo direto da nova regra.

A mudança, sancionada no início de agosto, atualiza os limites do MCMV para acompanhar a inflação do setor, acumulada em 12,4% nos últimos 24 meses, conforme Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Com isso, famílias com renda bruta de até R$ 2.640 (Faixa 1) poderão financiar imóveis de até R$ 150 mil, enquanto a Faixa 2, para rendas até R$ 4.400, passa a ter teto de R$ 264 mil. "É o maior reajuste real desde 2015", afirma o economista da Associação Brasileira de Incorporadoras, Marcelo Azevedo, em nota à imprensa.

O impacto prático já aparece no bolso dos compradores. A Caixa Econômica Federal, maior financiadora do programa, informou que o número de simulações de crédito cresceu 23% na primeira quinzena de agosto, em comparação com julho. O banco também anunciou uma redução de 0,5 ponto percentual nas taxas de juros para a Faixa 1, que agora partem de 4% ao ano. "Quem estava esperando a poeira baixar para comprar o primeiro imóvel encontrou agora uma janela dupla: teto maior e juro menor", explica a consultora imobiliária Renata Elias, de São Paulo.

Mas atenção: nem todo mundo consegue acessar as condições facilitadas. A nova resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), publicada no último dia 12, estabelece critérios mais rígidos para o uso do FGTS como entrada. A medida, que começa a valer em 30 dias, exige que o trabalhador tenha, no mínimo, 3 anos de contribuição ininterrupta ao fundo, contrariando a regra anterior de 12 meses. "Isso pode excluir uma parcela significativa de jovens de até 30 anos, que ainda não acumularam tempo suficiente", alerta Maria Fernanda Carvalho, advogada especialista em direito imobiliário.

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No mercado, as construtoras com foco no Minha Casa, Minha Vida comemoram. A MRV, maior construtora do país, anunciou nesta semana a retomada de 12 lançamentos que estavam engavetados por causa da defasagem dos tetos. As ações da empresa subiram 4,2% na B3 na quinta-feira, refletindo a confiança do investidor. Já a Direcional, que atua fortemente em capitais do Nordeste, prevê alta de 15% nas vendas neste semestre.

Para o comprador, a orientação é agir com planejamento. A nova regra do FGTS, somada à inflação do setor, pode encarecer os imóveis nos próximos meses. O economista-chefe da Secovi-SP, Eduardo Crestana, recomenda: "Se você já tem o mínimo de entrada e renda compatível, não espere o fim do ano. O cenário de juros ainda é favorável, mas o movimento de alta de preços deve se intensificar no quarto trimestre."

Em resumo, o MCMV entra em uma nova fase, mais generosa nos tetos, porém mais exigente quanto ao histórico de contribuição. A combinação de ajustes pode representar a diferença entre sair do aluguel e continuar esperando. Quem entende as regras e aproveita a janela atual tem grandes chances de conquistar a casa própria com condições históricas.

#MCMV#Casa Verde e Amarela#crédito imobiliário
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