Maior cobertura do Brasil bate recorde: R$ 120 mi no Rio esta semana
Penthouse de 1.400 m² no Leblon foi vendida por R$ 120 milhões, a maior transação do ano. Saiba quem comprou e o que isso sinaliza para o mercado de luxo.

O mercado imobiliário de luxo brasileiro acaba de registrar um marco histórico. Nesta semana, foi concluída a venda de uma cobertura no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro, por R$ 120 milhões — a maior transação residencial do país neste ano, segundo dados preliminares do Secovi-Rio. O imóvel, com 1.400 metros quadrados e vista para o mar, foi adquirido por um empresário do setor de tecnologia, em um negócio que levou o metro quadrado do bairro a um novo patamar: R$ 85,7 mil.
A negociação, que vinha sendo costurada há meses, foi fechada com pagamento à vista, sem financiamento. Segundo corretores envolvidos, a alta demanda por imóveis de alto padrão tem sido impulsionada pela valorização patrimonial e pelo fluxo de capital estrangeiro. No primeiro semestre deste ano, o setor de luxo no Rio registrou um crescimento de 18% nas vendas, conforme levantamento da imobiliária especializada Pronto 3.
O recorde anterior no município havia sido a venda de uma cobertura em Ipanema, por R$ 95 milhões, em 2024. O novo valor supera em 26% a maior transação do ano passado, refletindo uma tendência de alta nos imóveis de altíssimo padrão. Especialistas apontam que a escassez de terrenos na orla e a limitação de altura nas construções elevam o valor desses ativos, que funcionam como porto seguro em momentos de volatilidade econômica.
"O comprador enxerga a cobertura como um investimento de longo prazo, com potencial de valorização acima da inflação", explica André Gomide, sócio da consultoria imobiliária G5. "Além disso, o Rio tem atraído executivos do setor de tecnologia, que buscam qualidade de vida e segurança, impulsionando ainda mais o mercado."
A negociação também movimentou o mercado de crédito, já que, mesmo à vista, a operação envolveu a abertura de uma conta garantida em um grande banco, para facilitar a transferência internacional dos recursos. O Banco Central acompanha de perto os fluxos de capital estrangeiro no setor, que somaram US$ 1,2 bilhão no primeiro semestre.
Para quem observa o mercado, o recorde é um sinal de confiança na economia brasileira, apesar da Selic em 11,75% ao ano. "O comprador de alto padrão não é afetado pela taxa de juros, mas sim pela previsibilidade", afirma Gomide. A tendência é que novas transações milionárias sejam anunciadas até o fim do ano, com destaque para São Paulo e Florianópolis.
Se você está de olho no mercado de luxo, fique atento: os números deste trimestre indicam que os imóveis de alto padrão seguem como aplicação segura, com potencial de retorno acima do CDI. E a próxima grande venda pode estar a um anúncio de distância.


