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Locação por temporada no Brasil: aluguel mensal salta 11,7% no trimestre e inquilinos miram contratos de curto prazo

Com a vacância de imóveis em baixa histórica e o avanço do home office, o mercado de locação por temporada registra alta de 11,7% no valor médio do aluguel neste trimestre, aponta Secovi-SP. Inquilinos buscam flexibilidade e evitam contratos longos.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Locação por temporada no Brasil: aluguel mensal salta 11,7% no trimestre e inquilinos miram contratos de curto prazo

O mercado de aluguel residencial no Brasil vive uma virada de comportamento em 2026. Dados divulgados esta semana pelo Secovi-SP mostram que o valor médio do aluguel por temporada subiu 11,7% no segundo trimestre de 2026, para R$ 4.850 mensais em imóveis de dois dormitórios na capital paulista. A alta é puxada pela redução da oferta de imóveis disponíveis para locação de curto prazo, que caiu 8,3% desde março.

O fenômeno não se restringe a São Paulo. No Rio de Janeiro, a Abrainc registrou aumento de 14,2% nos contratos de temporada na Zona Sul entre abril e junho, impulsionado pelo turismo corporativo e pelo trabalho remoto. “Muitos profissionais optam por alugar por alguns meses para testar bairros antes de comprar ou para se adaptar ao home office híbrido”, explica Fernando Almeida, economista do Secovi.

A tendência de contratos mais curtos é confirmada pelo índice FipeZap de Locação, que aponta que 38% dos novos contratos firmados em junho de 2026 têm prazo inferior a 12 meses, ante 24% no mesmo período de 2025. O movimento é alimentado pela incerteza econômica: a taxa Selic, mantida em 13,75% ao ano pelo Copom na última reunião de junho, desestimula o financiamento imobiliário e empurra famílias para o aluguel.

No mercado de temporada, as plataformas digitais têm papel central. Dados da B3 indicam que o volume de transações de locação por temporada intermediadas por aplicativos cresceu 31% no primeiro semestre de 2026, com destaque para cidades médias como Campinas, Goiânia e Florianópolis. “O locatário atual valoriza a possibilidade de cancelar com aviso prévio de 30 dias, algo impensável há cinco anos”, afirma Marina Rocha, analista da Anbima.

Para o investidor imobiliário, o segmento exige adaptação. Imóveis com mobília completa, internet de alta velocidade e flexibilidade contratual estão entre os mais procurados. “Quem comprou para alugar por temporada precisa rever a estratégia: o retorno pode ser maior, mas a rotatividade exige gestão ativa”, alerta Rocha.

A expectativa para o segundo semestre é de continuidade da alta, impulsionada pelo período de férias e pela volta de eventos presenciais. O Banco Central, em seu relatório de inflação de julho, prevê que o IPCA de habitação fique em 5,8% em 2026, mas os aluguéis devem superar esse patamar. Para quem busca locação, a dica é negociar prazos mais longos em troca de descontos, ainda que a tendência seja de valorização.

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