FIIs de galpões lideram ganhos na B3 em julho; IFIX recua 0,8%
Com Copom mantendo Selic em 9,75% e IPCA-15 desacelerando, fundos de logística avançam até 4,2% na semana. Veja os destaques.

A semana de 13 a 17 de julho de 2026 foi marcada por movimentos distintos entre os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) listados na B3. Enquanto o IFIX – principal índice do setor – acumulava leve queda de 0,8% no período, os fundos de galpões logísticos dispararam, com ganhos de até 4,2%, impulsionados pela divulgação de resultados operacionais do segundo trimestre.
Entre os fundos em evidência, o FII BRLP11 subiu 4,2% na semana, após reportar vacância de apenas 3,1% em junho e reajuste contratual médio de 6,8% acima do IPCA. O fundo, que concentra ativos em São Paulo e Minas Gerais, se beneficia do crescimento do comércio eletrônico, cujas vendas no trimestre cresceram 12% segundo a Abrainc.
Outro destaque foi o VTLT11, com alta de 3,6% na semana. O fundo de títulos e valores mobiliários (papéis) registrou distribuição de R$ 0,95 por cota em junho, equivalente a um dividend yield anualizado de 11,2%. A rentabilidade foi favorecida pela manutenção da taxa Selic em 9,75% na reunião do Copom de 14 de julho, conforme decidido pelo Banco Central.
Por outro lado, os FIIs de lajes corporativas sofreram pressão. O FII HGRE11, com forte exposição a edifícios na Faria Lima, caiu 2,3% na semana, refletindo a vacância de 18,5% no segmento em São Paulo, segundo dados do Secovi-SP de junho. O mercado de escritórios ainda não se recuperou totalmente do pós-pandemia, com absorção líquida negativa no trimestre atual.
No mercado secundário de cotas, o volume financeiro médio diário negociado com FIIs em julho foi de R$ 1,2 bilhão, estável em relação a junho. A B3 registrou três ofertas follow-on no mês: duas de fundos de logística e uma de shoppings, totalizando R$ 890 milhões captados, segundo a Anbima.
Para investidores, o cenário de juros estáveis e inflação controlada – o IPCA-15 de junho veio em 0,22%, abaixo do esperado – favorece os fundos de tijolo, especialmente galpões e shoppings, que conseguem repassar a inflação nos contratos. Já os FIIs de papel devem continuar atrativos enquanto a Selic não cair, mas o risco de crédito exige cautela.
A recomendação dos analistas do Itaú BBA, em relatório divulgado nesta quarta-feira (15), é de alocar até 10% da carteira em FIIs de galpões, com preferência para fundos com contratos atípicos (Built to Suit) e baixo nível de alavancagem. O IFIX encerrou o mês de junho com 3.214 pontos, e projeta-se para julho um intervalo entre 3.180 e 3.280.


