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Locação por temporada explode no Brasil com alta de 40% na demanda em julho de 2026

Dados do Secovi-SP e da Abrainc apontam que os aluguéis de curta duração já representam 28% do mercado residencial formal, impulsionados por nômades digitais e mudanças no comportamento pós-pandemia.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Locação por temporada explode no Brasil com alta de 40% na demanda em julho de 2026

O mercado de locação por temporada no Brasil vive um momento de ebulição em julho de 2026. Dados divulgados nesta semana pelo Secovi-SP indicam que a demanda por imóveis para aluguel de curta duração cresceu 40% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, puxada principalmente pelo aumento do trabalho remoto e pela entrada de estrangeiros nômades digitais.

De acordo com levantamento da Abrainc, os contratos de temporada já respondem por 28% do total de locações residenciais formais no país, contra 18% em 2024. "O perfil do inquilino mudou radicalmente. Hoje, vemos profissionais que alugam por três a seis meses, renovando contratos sucessivamente", explica Maria Fernanda Toledo, vice-presidente de locação do Secovi-SP, em coletiva à imprensa nesta quinta-feira (16).

O fenômeno tem forte correlação com a política monetária. No último Copom, realizado em junho, o Banco Central manteve a Selic em 12,75% ao ano, o que torna o financiamento imobiliário menos atrativo e empurra mais pessoas para o aluguel. "Com juros altos, comprar imóvel virou privilégio. A locação por temporada surge como alternativa flexível e mais acessível", analisa o economista-chefe da Fipe, em nota técnica divulgada nesta semana.

Os aluguéis tradicionais de longo prazo também subiram: o Índice FipeZap de Locação registrou alta de 1,2% em junho ante maio, acumulando 9,8% no trimestre. Porém, enquanto o aluguel padrão tem contratos de 30 meses em média, a temporada gira em torno de 4 meses, com valores 35% superiores em termos de aluguel mensal equivalente, segundo dados da plataforma QuintoAndar.

Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis lideram o movimento. Em São Paulo, bairros como Pinheiros e Vila Madalena viram a oferta de imóveis para temporada crescer 22% apenas em julho, conforme o Secovi. Já no Rio, a orla de Copacabana registra ocupação de 92% dos imóveis listados em plataformas como Airbnb e Booking para o mês de julho, com diária média de R$ 450.

Para investidores, a tendência exige adaptação. Especialistas recomendam focar em imóveis com plantas flexíveis, boa conexão de internet e localização próxima a centros de inovação. A expectativa é que, até o fim de 2026, a locação por temporada ultrapasse 30% do mercado residencial, consolidando-se como o novo padrão de moradia para uma geração que prioriza mobilidade e experiência.

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