Política

A rua do Rio que virou mina de ouro: zoneamento muda e preço dispara 43% em 3 meses

Nova lei de zoneamento aprovada nesta semana pela Câmara do Rio libera prédios de até 30 andares em trecho da Zona Norte. Em 90 dias, metro quadrado pulou de R$ 8.200 para R$ 11.700.

Redação Perspectiva Imobiliária·
A rua do Rio que virou mina de ouro: zoneamento muda e preço dispara 43% em 3 meses

A Prefeitura do Rio de Janeiro sancionou na última terça-feira (14/7) a Lei Complementar 268/2026, que altera o zoneamento urbano de uma faixa de 2,5 km ao longo da Avenida Dom Hélder Câmara, em Pilares. A medida permite construção de edifícios residenciais e comerciais de até 30 pavimentos — antes o limite era de 12 andares.

O efeito foi imediato. Segundo levantamento do Secovi-Rio divulgado nesta quinta-feira (16/7), o preço médio do metro quadrado na região saltou de R$ 8.200 em abril para R$ 11.700 em julho — alta de 42,7% em três meses. Corretores locais relatam filas de investidores na porta de imobiliárias desde a aprovação na Câmara, em 30 de junho.

"A região era considerada dormitório e com baixa densidade. Agora virou o novo vetor de crescimento imobiliário da cidade", afirma Carlos Minc Filho, presidente do Secovi-Rio. A previsão é que pelo menos 15 novos lançamentos sejam protocolados ainda neste semestre, somando mais de 2.000 unidades.

A mudança faz parte do plano de adensamento urbano da prefeitura, que busca direcionar o crescimento para áreas com infraestrutura de transporte consolidada — a Dom Hélder Câmara conta com corredor de BRT e está a 15 minutos do Centro. "É uma política de uso do solo mais inteligente, que aproveita o que já existe", diz o secretário municipal de Urbanismo, Washington Fajardo.

Especialistas, porém, alertam para o risco de especulação imobiliária. Dados do Banco Central mostram que o crédito imobiliário no Rio cresceu 18% no primeiro semestre de 2026, e parte desse fluxo está sendo direcionado para a região. "O zoneamento pode atrair investimento, mas a prefeitura precisa garantir contrapartidas de mobilidade e saneamento", pondera a urbanista Raquel Rolnik, da USP.

A prefeitura afirma que já destinou R$ 120 milhões para obras de drenagem e alargamento de calçadas na avenida, com início previsto para agosto. O impacto na arrecadação de IPTU também é esperado: a Secretaria Municipal de Fazenda projeta um aumento de R$ 40 milhões ao ano com a reavaliação dos imóveis.

Para quem investiu antes da mudança, o retorno já apareceu. O engenheiro Paulo Sérgio comprou um terreno de 600 m² na rua por R$ 1,2 milhão em março. Hoje, o mesmo terreno vale R$ 1,8 milhão. "Foi sorte, mas também informação. Acompanho as reuniões da Câmara", diz. A lição: ficar de olho no zoneamento pode ser mais rentável do que qualquer FII.

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