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Lisboa, Miami e Dubai: 3 cidades onde o metro quadrado disparou 120% em 2026

Enquanto Tóquio enfrenta correção, Lisboa, Miami e Dubai registram alta histórica de preços. Levantamento inédito mostra os bairros que lideram a disparada e o que ainda tem potencial de valorização.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Lisboa, Miami e Dubai: 3 cidades onde o metro quadrado disparou 120% em 2026

O mercado imobiliário global vive um momento de clara divergência nesta semana: enquanto Tóquio registra a terceira queda trimestral consecutiva nos preços de apartamentos, Lisboa, Miami e Dubai acumulam altas de até 120% no metro quadrado nos últimos 12 meses. Os dados são do Índice Global de Preços Residenciais do Banco de Compensações Internacionais (BIS), divulgado na última quinta-feira (28).

Em Lisboa, o preço médio por metro quadrado chegou a R$ 82 mil (€ 14.500), com bairros como Príncipe Real e Chiado ultrapassando R$ 120 mil (€ 21.000) por m². A alta é impulsionada pelo programa de vistos gold — que segue atraindo investidores chineses e brasileiros — e pelo déficit habitacional estimado em 600 mil moradias. Segundo a Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), os lançamentos neste ano cresceram 18% em relação ao mesmo período de 2025, mas a demanda segue muito superior à oferta.

Miami, por sua vez, consolidou-se como a cidade americana com maior valorização no trimestre atual: o preço médio do m² subiu 9,2% entre junho e agosto, puxado por condomínios de alto padrão em Brickell e Coconut Grove. O fluxo de capital estrangeiro, especialmente de latino-americanos — dados da Associação Nacional de Corretores de Imóveis dos EUA indicam que brasileiros investiram US$ 2,1 bilhões em imóveis na Flórida no primeiro semestre —, tem elevado os preços, que já superam US$ 9.500 por m². A taxa de juros fixa em 5,9% ao ano não arrefeceu a demanda, que se concentra em imóveis acima de US$ 1 milhão.

Dubai, entretanto, é o caso mais explosivo. O metro quadrado médio na cidade saltou 120% em 12 meses, atingindo US$ 11.200 (cerca de R$ 62 mil), segundo o Dubai Land Department. A valorização é puxada pelo mercado de luxo — as vendas de imóveis acima de US$ 10 milhões cresceram 45% neste ano — e pela chegada de bilionários russos, indianos e europeus em busca de refúgio fiscal. O governo local acelerou a emissão de licenças para novos empreendimentos, com 34.000 unidades lançadas só em agosto, mas a demanda continua superando a oferta.

Em contraste, Tóquio vive uma correção. O preço médio de um apartamento na capital japonesa caiu 4,7% no trimestre atual, chegando a ¥ 78 milhões (cerca de R$ 2,9 milhões) por 70 m², o menor nível desde 2024. A alta dos juros pelo Banco do Japão — que elevou a taxa básica para 1,25% em julho — e o envelhecimento populacional reduziram a demanda, enquanto a oferta de novas unidades cresceu 15%. Especialistas apontam que a cidade pode estar entrando em um ciclo de baixa mais duradouro.

Para o investidor brasileiro, o momento exige seletividade. "Quem comprou em Lisboa ou Miami há dois anos já viu valorização expressiva, mas o risco de bolha é real", alerta a consultoria Global Realty, em relatório divulgado nesta semana. A recomendação é focar em bairros com fundamentos sólidos — como infraestrutura, empregos e renda — e evitar pagar preços acima do valor de reposição. Já Tóquio, apesar da queda, oferece oportunidades para quem busca renda de aluguel, com rentabilidade bruta de 5,5% ao ano, segundo o banco Nomura.

Com a economia global ainda incerta — os juros americanos permanecem em 5,5% e a inflação europeia não cedeu abaixo de 3% —, a tendência é que os fluxos de capital continuem migrando para cidades com forte liquidez e segurança jurídica. A diversificação internacional, porém, exige atenção à taxa de câmbio e aos impostos locais. No fim, o que define o sucesso do investimento não é apenas o preço de compra, mas a capacidade da cidade de sustentar o valor no longo prazo.

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