Copom eleva Selic a 15,75% e parcela da casa própria dispara R$ 312
Decisão anunciada nesta semana já impacta contratos novos e repasses. Veja quanto sua prestação pode aumentar e as alternativas para não desistir do imóvel.

O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (28) a oitava alta consecutiva da Selic, elevando a taxa básica para 15,75% ao ano. Para quem está financiando um imóvel ou pretende entrar no mercado, o impacto é imediato: a parcela de um apartamento de R$ 500 mil financiado em 30 anos sobe, em média, R$ 312 por mês, segundo simulações da Abrainc com base nas condições de crédito atuais.
A decisão, amplamente esperada pelo mercado, reflete a pressão inflacionária que não cedeu ao longo do trimestre. O IPCA acumulado em 12 meses fechou agosto em 6,2%, acima do teto da meta, e a comunicação do Copom sinaliza que novos aumentos podem vir, caso a trajetória não se reverta. Para quem já contratou um financiamento com taxa prefixada, não há mudança; mas para quem optou por pós-fixado ou está na fase de repasse, o custo efetivo total pode encarecer o imóvel em até 8% ao longo do contrato.
No mercado de imóveis prontos, a reação foi imediata: as construtoras listadas na B3 registraram queda média de 3,2% no pregão de quinta-feira, enquanto os fundos imobiliários de papel, atrelados a CRIs com taxa flutuante, tiveram marcação a mercado negativa. Por outro lado, os FIIs de tijolo, que se beneficiam da demanda por locação, seguem resilientes, com vacancy estável em 12,4% nas principais capitais, segundo dados da Secovi-SP divulgados nesta semana.
Para o comprador, o cenário exige planejamento. A Caixa Econômica Federal, que responde por 70% dos financiamentos com recursos do FGTS, manteve as condições para o programa Casa Verde e Amarela, mas a linha de crédito com juros de mercado já repassou a alta. Uma simulação feita com a taxa praticada em agosto mostra que, para um imóvel de R$ 400 mil com entrada de 20%, a parcela saltou de R$ 2.850 para R$ 3.162 — um acréscimo de 11% em apenas um mês.
A boa notícia é que o mercado de incorporação já precificava esse movimento. Segundo a Abrainc, as vendas de imóveis na planta no segundo trimestre cresceram 4,5% em relação ao trimestre anterior, indicando que parte dos compradores antecipou a aquisição antes do novo aperto monetário. Para quem não conseguiu, a recomendação dos especialistas é negociar prazos maiores, usar recursos do FGTS para amortizar o saldo devedor e comparar as condições de pelo menos três bancos.
Analistas do setor acreditam que o atual ciclo de alta está próximo do fim. A projeção mediana do boletim Focus, divulgado na segunda-feira, aponta Selic em 15,50% até o fim de 2026, sugerindo que o Copom pode iniciar um ciclo de corte já na próxima reunião, em outubro. Até lá, quem puder aguardar a definição pode encontrar condições melhores, mas a disputa por imóveis em regiões com déficit habitacional segue aquecida — e a espera pode custar mais caro do que a taxa.
Se você está pensando em comprar, o momento exige cálculo fino: simule o impacto da alta na sua renda, avalie a possibilidade de usar o FGTS e não deixe de considerar a renegociação de contratos em andamento. O mercado de imóveis segue com fundamentos sólidos, mas a janela de juros baixos ficou para trás — pelo menos por enquanto.


