Copom eleva Selic a 15,75% e parcela de imóvel sobe R$ 480
Com a nova alta de 0,5 ponto, financiamentos de R$ 500 mil em 35 anos ficam mais caros. Veja como o mercado já reage e o que esperar do próximo Copom.

O Banco Central anunciou na quarta-feira (26) a oitava elevação consecutiva da taxa Selic, que agora chega a 15,75% ao ano. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, foi motivada pela aceleração da inflação de serviços e pelo descontrole das expectativas para 2027. Para quem está financiando um imóvel, o impacto é imediato: a parcela média de um financiamento de R$ 500 mil em 35 anos subiu R$ 480 neste mês, segundo simulações da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip).
A alta veio em linha com o comunicado do Copom, que sinalizou novas elevações na próxima reunião, marcada para outubro. O comitê citou a resiliência do mercado de trabalho e a indexação de contratos de aluguel como fatores que pressionam a inflação de serviços. "O ciclo de aperto ainda não terminou; o Copom vai depender dos dados de agosto e setembro, mas a chance de mais 0,5 ponto em outubro é grande", avalia o economista-chefe da gestora ARX, Solange Srour.
No mercado imobiliário, a reação foi imediata. As incorporadoras listadas na B3 acumulam queda de 4,2% no trimestre, com destaque para MRV e Cyrela, que recuaram 6% e 5%, respectivamente, desde o anúncio. "O custo de captação das construtoras sobe, e isso tende a ser repassado para o preço final dos imóveis, em um momento em que a demanda já está desacelerando", explica o analista da XP, Pedro Marinho.
Para quem está comprando, a alternativa tem sido o crédito com recursos do FGTS, que segue com taxas reguladas em até 10,5% ao ano para imóveis de até R$ 350 mil. No entanto, o orçamento do programa para 2026 está praticamente esgotado — 78% dos recursos já foram comprometidos até agosto, segundo dados do Conselho Curador do FGTS. A Caixa Econômica Federal, principal agente do programa, confirmou que novas contratações podem ser suspensas já em outubro caso o Congresso não aprove a complementação orçamentária.
Enquanto isso, o mercado de imóveis de alto padrão, que opera com taxas livres, sente a pressão de forma mais intensa. Em São Paulo, o preço médio do metro quadrado subiu 1,8% em agosto, segundo o FipeZap, mas o número de transações caiu 7% na comparação mensal. "Estamos vendo um movimento de 'wait and see' — o comprador espera a Selic atingir o pico para então fechar negócio", comenta a diretora da imobiliária Lopes, Paula Reis.
Para o segundo semestre, a expectativa é de que a Selic encerre o ano em 16%, com impactos ainda mais severos sobre a capacidade de financiamento das famílias. A Abecip projeta uma queda de 12% nas concessões de crédito imobiliário em 2026, o que deve derrubar os lançamentos e, em parte, segurar os preços. No entanto, a escassez de oferta pode compensar esse efeito, mantendo os valores estáveis nas regiões mais demandadas.
Enquanto o Banco Central mantém o aperto, a orientação dos especialistas é clara: se você está em dúvida entre comprar agora ou esperar, a janela com taxas do FGTS é a mais vantajosa — mas o tempo está correndo. O próximo Copom, em 28 de outubro, deve ser o divisor de águas. Até lá, o mercado vai acompanhar de perto o IPCA de setembro e a inflação de serviços, que serão os fiéis da balança na decisão.

