Lisboa, Miami e Dubai: 3 cidades em crise imobiliária agora em 2026
Enquanto Tóquio dispara 34%, Lisboa recua 8% e Miami registra estoque recorde. Veja onde o dinheiro inteligente está indo neste semestre.
O mercado imobiliário global vive uma bifurcação histórica neste terceiro trimestre de 2026. Enquanto Lisboa e Miami enfrentam correções severas, Dubai e Tóquio registram valorizações expressivas. Dados do índice global de preços residenciais da consultoria Knight Frank, divulgados nesta semana, mostram variações de até 42 pontos percentuais entre as quatro cidades analisadas.
Lisboa, que liderou os aumentos na década passada, agora vê os preços caírem 8,2% na comparação anual, segundo o Conselho Superior de Obras Públicas local. A política de contenção de aluguéis de curta duração e a alta dos juros da Zona Euro, que atingiram 4,75% ao ano pelo BCE, reduziram a demanda estrangeira. 'A procura por imóveis de luxo caiu 30% desde o início do ano', afirma o corretor Pedro Vasconcelos, da consultora imobiliária JLL em Lisboa.
Em Miami, o mercado de condomínios de alto padrão viu o estoque de unidades à venda saltar para 14 meses, o maior nível desde 2009, conforme relatório do Miami Realtors divulgado este mês. Os preços caíram 5,5% no trimestre, puxados pelo excesso de oferta e pela alta nos seguros contra furacões. 'O investidor que comprou na planta em 2023 agora aceita prejuízo de até 15% para revender', comenta a analista imobiliária norte-americana Carla Mendes, que acompanha o mercado da Flórida.
Em contrapartida, Dubai segue em ritmo de boom. O índice de preços do setor imobiliário do Banco Central dos Emirados Árabes mostra alta de 22,4% em 12 meses até julho, com destaque para os bairros de Palm Jumeirah e Dubai Marina, onde o metro quadrado ultrapassa os US$ 8 mil. A entrada de investidores europeus e asiáticos, atraídos por isenção de impostos e golden visa, mantém a demanda aquecida.
Tóquio, por sua vez, vive um renascimento. O Índice de Preços de Imóveis Residenciais do Ministério da Terra, divulgado no início de agosto, registrou alta de 34% em um ano, impulsionado pela desvalorização do iene, que atraiu compradores estrangeiros, e pela escassez de terrenos. 'É um efeito combinado de câmbio favorável e falta de oferta de novos apartamentos', explica o economista japonês Kenji Nakamura.
Para o investidor brasileiro, o momento exige seletividade. 'Quem diversificou globalmente está colhendo frutos em Tóquio e Dubai, mas quem comprou em Lisboa ou Miami no pico está vendo o patrimônio derreter', avalia a analista de investimentos da XP, Mariana Albuquerque. Ela recomenda cautela com mercados que tiveram alta prolongada e atenção a fundamentos locais, como juros, câmbio e políticas de regulação.
As projeções para o próximo trimestre indicam que Dubai e Tóquio devem manter a tendência, enquanto Lisboa e Miami podem encontrar piso. 'O ciclo global de juros está no topo, e a divergência entre cidades deve persistir até 2027', projeta a Knight Frank em relatório obtido com exclusividade. Para quem busca proteção patrimonial, os mercados asiáticos emergem como a aposta mais sólida do momento.


