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Lisboa e Miami lideram boom imobiliário global; Dubai e Tóquio desaceleram em julho de 2026

Enquanto Lisboa e Miami registram alta de dois dígitos nos preços de imóveis, Dubai e Tóquio enfrentam correção de mercado. Comparativo mostra que fuga para qualidade e juros globais explicam movimentos opostos.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Lisboa e Miami lideram boom imobiliário global; Dubai e Tóquio desaceleram em julho de 2026

Dados divulgados esta semana pelo Global Property Guide mostram que o mercado imobiliário global segue dividido entre cidades com boom acelerado e outras em desaceleração. Em julho de 2026, Lisboa e Miami continuam a atrair capital estrangeiro, com valorizações anuais de 12% e 9%, respectivamente, impulsionadas por demanda de nômades digitais e investidores institucionais. Por outro lado, Dubai e Tóquio registram queda nominal de 3% e 2% no trimestre encerrado em junho.

Em Lisboa, o preço médio do metro quadrado atingiu €6.200 neste mês, puxado pelo programa de vistos gold e pela escassez de oferta. Segundo a Associação de Imobiliárias Portuguesas, o estoque de imóveis novos caiu 18% no primeiro semestre de 2026. Já em Miami, o influxo de latino-americanos e europeus elevou o preço médio do condomínio para US$ 580 mil, com destaque para bairros como Brickell e Coral Gables. A National Association of Realtors local aponta que 40% das transações foram realizadas por compradores estrangeiros.

No Oriente Médio, Dubai enfrenta um cenário oposto. A oferta excessiva de novos empreendimentos — mais de 30 mil unidades entregues no primeiro semestre de 2026 — pressionou os preços para baixo. O índice de preços residenciais da consultoria Knight Frank mostra retração de 3% no trimestre, com destaque para o segmento de luxo. Em Tóquio, o Banco do Japão elevou os juros para 0,75% em maio, encarecendo o financiamento imobiliário. A queda de 2% nos preços no trimestre atual é a primeira desde 2024.

Especialistas apontam que a divergência reflete a fuga para qualidade em um ambiente de juros globais ainda elevados. "Investidores buscam ativos reais em cidades com fundamentos sólidos, como Lisboa e Miami, enquanto praças superaquecidas como Dubai e Tóquio passam por correção natural", afirma o economista-chefe da Abrainc, em relatório divulgado nesta quarta-feira. Ele destaca que a tendência deve persistir até o último trimestre de 2026, com possível estabilização em Dubai após a absorção do estoque.

Para investidores brasileiros, o momento exige cautela. Enquanto Lisboa e Miami oferecem potencial de valorização, os preços já estão em patamares históricos. Já Dubai e Tóquio podem representar oportunidade de entrada em patamares mais baixos, mas o timing de recuperação é incerto. A recomendação dos analistas é diversificar geograficamente e monitorar as decisões dos bancos centrais nas próximas semanas.

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