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Governo anuncia R$ 15 bi extras para Minha Casa Minha Vida e amplia faixa 3

Nova rodada do MCMV injeta recursos no programa e redefine limites de renda para faixa 3, em meio à alta dos juros e pressão dos movimentos de moradia.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Governo anuncia R$ 15 bi extras para Minha Casa Minha Vida e amplia faixa 3

O governo federal anunciou nesta sexta-feira (17) a liberação de R$ 15 bilhões adicionais para o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) no segundo semestre de 2026. A medida, publicada em portaria conjunta dos ministérios da Fazenda e das Cidades, amplia o orçamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) destinado a subsídios e eleva o limite de renda da faixa 3 de R$ 8.600 para R$ 9.400 mensais.

Segundo dados divulgados pelo Ministério das Cidades, o MCMV contratou 212 mil unidades nos primeiros seis meses de 2026, alta de 8,7% ante o mesmo período de 2025, mas ainda abaixo da meta anual de 500 mil moradias. A ampliação da faixa 3 é uma resposta direta à elevação da taxa Selic, que subiu para 15,25% ao ano no último Copom de junho, encarecendo o crédito para famílias de classe média.

O presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, avaliou que a medida é bem-vinda, mas alertou que o teto de juros do programa, atualmente em 8% ao ano para faixa 3, precisa ser revisto para evitar desenquadramento dos mutuários. “Com a Selic em 15,25%, o spread bancário fica comprimido. Sem ajuste, os bancos podem reduzir oferta de crédito”, disse.

Na Câmara, o projeto de lei que reformula o Casa Verde e Amarela (criado em 2020 e substituído pelo MCMV em 2023) voltou à pauta nesta semana. A proposta tramita em regime de urgência e prevê a criação de um fundo garantidor para facilitar o acesso ao crédito para autônomos e trabalhadores informais, que hoje representam 40% da demanda por moradia no país.

O economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, destacou que a inadimplência no crédito imobiliário subiu para 3,2% em junho, ante 2,8% em dezembro de 2025, puxada pelo aperto monetário. “O reforço orçamentário do MCMV ajuda a compensar parte desse risco, mas é preciso também alongar prazos e reduzir custos burocráticos”, afirmou.

Para as construtoras, a sinalização do governo é positiva, mas o impacto real dependerá da execução orçamentária. A Caixa Econômica Federal, principal operadora do programa, já anunciou que retomará as contratações paralisadas em julho, após o repasse dos novos recursos. A expectativa é que os primeiros contratos com o novo teto da faixa 3 saiam em agosto.

Com a nova rodada, o investimento total do MCMV em 2026 chega a R$ 48,2 bilhões, maior valor desde 2014, em termos reais. A meta do governo é contratar ao menos 450 mil unidades até dezembro, número que, se confirmado, representará um recorde do programa retomado.

#Minha Casa Minha Vida#crédito imobiliário#política habitacional
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