Política

Copom de julho eleva Selic a 14,75% e aperta o crédito imobiliário, dizem especialistas

A alta de 0,5 ponto percentual na Selic nesta quarta-feira (15) já ecoa nos bancos: taxa média do financiamento imobiliário sobe para 12,3% ao ano, maior patamar desde 2017.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Copom de julho eleva Selic a 14,75% e aperta o crédito imobiliário, dizem especialistas
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O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou na quarta-feira (15) a sexta elevação consecutiva da Selic, levando a taxa básica de juros a 14,75% ao ano — maior nível desde outubro de 2016. A decisão, unânime entre os diretores do Banco Central, já impacta diretamente o crédito imobiliário no Brasil.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip), divulgado nesta sexta-feira (17), a taxa média dos financiamentos imobiliários com recursos da poupança (SBPE) saltou de 11,8% em junho para 12,3% ao ano nesta semana. Os bancos já repassam o aperto monetário aos novos contratos, elevando o custo do crédito e reduzindo o poder de compra das famílias.

Para o economista-chefe da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Antônio Maria, o cenário é de contração. “Com a Selic em 14,75%, o custo de captação dos bancos sobe e eles se tornam mais seletivos. As concessões de crédito imobiliário devem cair entre 8% e 10% no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025”, projeta.

O mercado imobiliário já sente o freio. Dados do Secovi-SP mostram que, em junho, as vendas de imóveis novos na capital paulista recuaram 6,5% ante maio, e a tendência é de nova retração em julho. “O comprador está mais cauteloso com o peso das parcelas. Quem depende de financiamento está adiando a decisão”, afirma o vice-presidente de economia do Secovi-SP, João da Silva.

O Banco Central, em sua ata da reunião de julho, publicada hoje, sinalizou que o ciclo de alta pode continuar se a inflação não convergir para a meta. “A conjuntura demanda firmeza na política monetária para ancorar as expectativas”, diz o documento. Isso significa que o crédito imobiliário seguirá sob pressão nos próximos meses.

Para quem busca imóvel, a recomendação dos consultores é negociar taxas no banco de relacionamento e considerar alternativas como o crédito associativo (carta de crédito de consórcio) ou a portabilidade para instituições com juros menores. “Mas não há milagre: com Selic elevada, o custo do dinheiro está caro para todo mundo”, resume o diretor da Abecip, Carlos Eduardo Oliveira.

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