Leilão em Paris vende casa de 15 m² por R$ 2,7 milhões; entenda o fenômeno
Imóvel minúsculo na capital francesa bateu recorde de preço por metro quadrado nesta semana. O que explica a loucura?

Um apartamento de 15 metros quadrados, sem elevador e com cozinha americana apertada, foi arrematado por 450 mil euros (cerca de R$ 2,7 milhões) em um leilão realizado nesta quinta-feira (6 de agosto) em Paris. O valor é 30% acima do preço médio do bairro e estabeleceu um novo recorde de preço por metro quadrado na cidade: 30 mil euros (R$ 180 mil).
O leilão, organizado pela Chambre des Notaires de Paris, atraiu 47 lances em menos de 20 minutos. O vencedor, um investidor chinês não identificado, pagou à vista. Segundo o corretor local Jean-Pierre Lefèvre, da agência Emile Garcin, o interesse é explicado pela combinação rara de localização (a 200 metros do Rio Sena) e o tamanho mínimo ideal para aluguel por temporada — que rende até 2.500 euros por mês em plataformas como Airbnb.
"É um fenômeno que começou no ano passado, quando o governo francês flexibilizou as regras para micro-imóveis em áreas históricas", explicou Lefèvre. "A demanda por espaços compactos, mas bem localizados, disparou entre estrangeiros, especialmente brasileiros e americanos."
No Brasil, o movimento não é tão extremo, mas também chama atenção. Dados da FipeZap divulgados nesta semana mostram que, em São Paulo, os imóveis de até 20 m² tiveram alta de 18% no segundo trimestre de 2026, contra 9% do mercado geral. No Rio, o preço médio do metro quadrado em áreas como Botafogo e Flamengo já supera R$ 15 mil, mas a procura é por lajes corporativas e apartamentos de 1 quarto, não microestúdios.
Para o economista da Abrainc, Luís Gustavo Medina, o caso parisiense é um alerta: "O que vemos lá é o resultado de uma bolha localizada, impulsionada por capital estrangeiro e falta de oferta. Aqui, o cenário é diferente: a Selic em 12,75% e o crédito restrito ainda seguram os preços."
Apesar da curiosidade, especialistas recomendam cautela. "Comprar um imóvel tão pequeno é um investimento de alto risco, que depende de regras de aluguel por temporada que podem mudar a qualquer momento", alerta Medina. "No Brasil, não vejo esse apetite por micro-imóveis, mas sim por studios em regiões centrais com boa mobilidade."
Para quem se interessou pelo caso, o próximo leilão na capital francesa está marcado para setembro, com outros 12 micro-imóveis. Mas, como lembra Lefèvre, "a competição deve ser ainda mais acirrada".


