Lançamentos imobiliários em SP sobem 85% no 2º tri; veja bairros
Cresce a oferta de imóveis de luxo em São Paulo, com lançamentos concentrados em bairros como Vila Nova Conceição e Pinheiros. Veja o impacto nos preços.

O mercado imobiliário de São Paulo registrou um salto de 85% no número de lançamentos no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são da Secovi-SP, que contabilizou 12.450 unidades lançadas entre abril e junho, contra 6.730 no mesmo intervalo de 2025. O movimento é puxado por incorporadoras de médio e alto padrão, que aceleraram projetos na capital após a queda da taxa básica de juros.
A Selic, atualmente em 9,75% ao ano, foi reduzida em 0,5 ponto percentual na última reunião do Copom, em agosto. Esse alívio monetário já se reflete nas condições de financiamento imobiliário, com a Caixa Econômica Federal e bancos privados oferecendo taxas a partir de 9,9% ao ano para imóveis de até R$ 1,5 milhão. Para o economista-chefe da Abrainc, André Pacheco, a combinação de juros menores e demanda reprimida deve sustentar o ritmo de lançamentos até o fim do ano.
Os bairros que mais concentraram novos empreendimentos foram Vila Nova Conceição, Pinheiros e Moema, na zona oeste e sul. Na Vila Nova Conceição, o preço médio do metro quadrado nos lançamentos chega a R$ 18.500, alta de 12% em relação ao trimestre anterior. Em Pinheiros, o valor médio é de R$ 15.200, com destaque para empreendimentos de 2 e 3 dormitórios voltados para o público jovem. Já Moema registrou 1.200 unidades lançadas, um recorde para o bairro desde 2020.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima que, no acumulado do ano, o setor deve fechar com 140 mil unidades lançadas na capital paulista, um aumento de 40% em relação a 2025. Esse crescimento, porém, não é uniforme: bairros periféricos como Brasilândia e Cidade Tiradentes ainda têm oferta escassa, concentrada em programas como o Minha Casa, Minha Vida, que apresentou 8.500 unidades contratadas no primeiro semestre deste ano.
Para o investidor, o momento exige atenção. Enquanto bairros nobres apresentam valorização média de 9% nos últimos 12 meses, segundo o Índice FipeZap, regiões em desenvolvimento como a Zona Leste oferecem potencial de alta maior, mas com risco de liquidez. "O investidor precisa avaliar o custo de oportunidade, pois com a Selic em queda, o retorno do aluguel tende a se tornar mais atrativo que o CDI", afirma a analista da consultoria imobiliária GRI, Mariana Silva.
Especialistas recomendam que compradores de imóveis na planta fiquem atentos ao prazo de entrega, que tem se alongado para até 48 meses nos lançamentos de alto padrão. "O atraso na obra pode corroer o ganho com a valorização, especialmente se os juros subirem novamente", alerta o vice-presidente do Secovi-SP, Ricardo Amaral. A projeção do mercado é de que a Selic permaneça estável até dezembro, mas o cenário externo ainda é incerto.
Com a oferta aquecida e a concorrência entre construtoras, os preços de lançamento tendem a se manter estáveis no curto prazo. Para quem busca oportunidades, a dica é negociar condições de pagamento e descontos à vista, que têm variado entre 5% e 10% dependendo do empreendimento. O mercado segue aquecido, mas a seleção criteriosa do imóvel e da localização continua sendo o principal fator de sucesso.


