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Lançamentos imobiliários em SP batem recorde de R$ 3,2 bi em agosto

Número surpreende o mercado e aponta retomada forte no trimestre. Veja quais bairros concentram os novos projetos e o que esperar para o fim do ano.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Lançamentos imobiliários em SP batem recorde de R$ 3,2 bi em agosto

O mercado imobiliário paulistano vive um momento raro: os lançamentos de agosto somaram R$ 3,2 bilhões em VGV, maior marca para o mês desde 2020, segundo dados da Secovi-SP divulgados nesta terça-feira (25). O número representa alta de 18% sobre julho e 32% na comparação anual, puxada por grandes incorporadoras que decidiram acelerar projetos antes do ciclo de alta da Selic.

A região oeste, especialmente os bairros de Perdizes, Pompeia e Vila Leopoldina, concentrou 42% do valor lançado no mês. Foram 14 novos empreendimentos residenciais de médio e alto padrão, com preços médios entre R$ 12 mil e R$ 18 mil o metro quadrado. A Vila Leopoldina, em particular, virou o novo eldorado das construtoras, com cinco torres residenciais lançadas só em agosto, reflexo da demanda por apartamentos de 2 e 3 dormitórios próximos ao metrô.

Segundo analistas da Brain Inteligência Estratégica, a aceleração dos lançamentos é uma resposta à Selic ainda em 11,75% ao ano, que mantém o financiamento imobiliário competitivo, e à percepção de que o Banco Central pode elevar os juros já na reunião de setembro. O Copom, inclusive, sinalizou na ata da última reunião que a alta é provável, o que fez incorporadoras anteciparem projetos para garantir custos de construção e demanda antes de um eventual aperto no crédito.

Os números de agosto também refletem a volta dos lançamentos de alto padrão, que estavam reprimidos desde 2024. A Cyrela, por exemplo, lançou o empreendimento Cidade Jardim One, na região da avenida Faria Lima, com unidades a partir de R$ 2,2 milhões, e vendeu 60% das unidades em apenas duas semanas. A incorporadora atribui o resultado à escassez de oferta nova na região e à confiança do comprador final, que ainda enxerga o imóvel como proteção patrimonial em meio à volatilidade dos mercados.

Para o comprador, a janela atual é de oportunidades, mas exige cautela. Pesquisa da Abrainc indica que a taxa de distratos caiu para 8%, menor nível desde 2021, o que sugere que os lançamentos estão sendo absorvidos por compradores reais, não por especuladores. Ainda assim, especialistas recomendam avaliar a reputação da construtora e o andamento das obras antes de assinar, já que o custo de construção subiu 6% no acumulado do ano, pressionado pelo aço e pela mão de obra.

No cenário nacional, o Rio e Balneário Camboriú também têm números relevantes, mas SP lidera o estoque de ofertas e a velocidade de venda. Segundo o FipeZap, o preço médio do metro quadrado em São Paulo subiu 1,2% em agosto, para R$ 10.458, com alta de 14% nos últimos 12 meses. Esse movimento deve continuar no quarto trimestre, com mais R$ 8 bilhões em lançamentos previstos para a capital, o que pode aquecer ainda mais o mercado e, ao mesmo tempo, pressionar os preços para o comprador final.

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