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Lançamentos imobiliários em SP batem recorde com R$ 2,1 bi em agosto

Alta de 23% nas vendas de imóveis novos na capital paulista surpreende e reacende disputa por lançamentos; veja os bairros que puxam o ranking.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Lançamentos imobiliários em SP batem recorde com R$ 2,1 bi em agosto

O mercado imobiliário de São Paulo vive um momento de euforia controlada: os lançamentos imobiliários na capital paulista somaram R$ 2,1 bilhões em agosto, o melhor resultado para o mês desde 2021, segundo dados da Secovi-SP divulgados nesta semana. O número representa um avanço de 18% em relação ao mesmo período do ano passado e reforça a percepção de que o setor encontrou um novo equilíbrio após a alta dos juros.

O desempenho é puxado principalmente pelos bairros da Zona Leste e do chamado 'eixo norte', onde os preços por metro quadrado ainda são até 30% menores que os da região dos Jardins. 'O comprador está mais racional, busca produto com bom potencial de valorização, mas sem abrir mão de localização próxima ao trabalho', afirma Marina Costa, diretora de inteligência de mercado da Abrainc. Dados do FipeZap mostram que o preço médio do metro quadrado em São Paulo subiu 1,2% só no último mês, atingindo R$ 12.450.

Outro fator que explica o aquecimento é a decisão do Copom de manter a Selic em 10,5% ao ano na reunião da semana passada, interrompendo o ciclo de alta que pressionava as parcelas. Para o financiamento imobiliário, a manutenção da taxa foi lida como um alívio: a Caixa Econômica já anunciou que não vai elevar os juros de novos contratos até dezembro. 'Isso tirou o comprador da defensiva. Quem estava esperando uma queda maior da taxa percebeu que o cenário é de estabilidade, e isso destrava decisões', explica o economista-chefe de uma grande incorporadora, que preferiu não se identificar.

Na ponta dos lançamentos, os destaques são os empreendimentos de médio padrão, com unidades entre R$ 350 mil e R$ 700 mil, que concentram 60% das vendas. A região do Tatuapé, por exemplo, recebeu oito novos projetos só neste mês, com vendas médias de 45% das unidades em até 15 dias. Já na Barra Funda, um condomínio-clube com lazer completo bateu recorde de velocidade: 80% das 240 unidades foram vendidas em uma única semana, segundo a incorporadora responsável.

Mas o cenário também acende um alerta: a alta de preços acelerou o ritmo de valorização em bairros periféricos, como Brasilândia e São Miguel Paulista, que registraram aumentos de até 4% no trimestre. Para especialistas, isso pode espremer a demanda nos próximos meses, especialmente se a inflação de materiais de construção voltar a pressionar os custos. 'Quem está pensando em comprar não deve esperar uma correção. O estoque de imóveis novos está no menor nível dos últimos cinco anos', reforça a analista da Abrainc.

Para investidores, a recomendação é olhar para os lançamentos de studios e unidades compactas, que têm girado mais rápido no mercado de locação. Com o aluguel médio em São Paulo subindo 8,3% em 12 meses, o retorno bruto anual chega a 7,2%, acima da poupança e de títulos públicos indexados à inflação. 'Ainda há espaço para quem quer comprar na planta e vender na entrega, mas a margem já não é a mesma de dois anos atrás', pondera um corretor da região da Vila Mariana.

No Rio de Janeiro, os lançamentos também reagiram, mas em ritmo menor: alta de 11% em agosto, com destaque para a Barra da Tijuca e o Recreio, que puxaram as vendas com programas de condomínio-clube. Já em Balneário Camboriú, o mercado de luxo segue aquecido, com o metro quadrado mais caro do país, na casa dos R$ 18 mil, e lançamentos de alto padrão vendendo até 70% das unidades na pré-venda, segundo dados do Secovi-SC. A cidade, que virou a 'Miami brasileira', atrai cada vez mais investidores de fora do estado.

Para quem pensa em entrar no mercado, o momento pede planejamento: as condições de financiamento estão estáveis, mas a concorrência pelos melhores imóveis é alta. 'Quem tem recursos para entrada de 30% ou mais sai na frente e consegue negociar descontos de até 10% em lançamentos', sugere a diretora da Abrainc. Com a tendência de juros estáveis no curto prazo, a janela de oportunidades deve permanecer aberta nos próximos meses — mas não por muito tempo.

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