Jatinho, iate e mansão: o que um bilionário gasta em 2026
Com patrimônio acima de US$ 10 bi, manter o estilo de luxo custa R$ 450 milhões por ano. Veja os números que circulam no mercado de luxo global.
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Enquanto a alta dos juros aperta o bolso do brasileiro, um seleto grupo de bilionários globais movimenta cifras astronômicas apenas para manter seu padrão de vida. Esta semana, o relatório anual da consultoria Knight Frank, divulgado no último dia 10, trouxe números frescos sobre o custo de manutenção de um patrimônio de luxo: com uma fortuna estimada em US$ 10 bilhões, o dono de um jato Gulfstream G700, de um iate de 80 metros e de uma mansão em Miami ou Mônaco desembolsa, em média, US$ 82 milhões por ano — cerca de R$ 450 milhões, na cotação atual de R$ 5,50.
O item que mais pesa no orçamento é o jato, responsável por 42% do total. Segundo a consultoria de aviação executiva Jetcraft, o custo operacional do Gulfstream G700, incluindo combustível, tripulação e hangaragem, gira em torno de US$ 7 milhões anuais. Já o iate, um modelo da italiana Azimut ou da holandesa Feadship, consome US$ 5 milhões por ano em combustível, manutenção e salários da tripulação — que, para embarcações acima de 60 metros, pode chegar a 20 pessoas, com folha salarial de US$ 1,2 milhão.
No setor imobiliário, a mansão de luxo em locais como Beverly Hills, Londres ou Saint-Tropez não fica atrás. O relatório da Knight Frank aponta que uma residência de 1.500 m² com piscina, spa e heliponto custa, em média, US$ 25 mil por mês apenas de impostos e condomínio. Em Miami, o condomínio no edifício One Thousand Museum, projetado por Zaha Hadid, tem taxa mensal de US$ 8 mil. E, com a reforma tributária aprovada no Congresso em maio, que elevou a alíquota sobre grandes fortunas nos EUA, o custo fixo de manter esse patrimônio subiu 12% em relação ao ano passado.
O Brasil, que viu o número de bilionários subir para 62 na última lista da Forbes, não fica de fora. Neste mês, o empresário brasileiro mais rico, com patrimônio de US$ 18 bilhões, segundo a Forbes Brasil, mantém uma frota de três jatos e dois iates, com gasto anual estimado em R$ 300 milhões — valor que paga 400 apartamentos de R$ 750 mil na Vila Mariana. Enquanto isso, a FipeZap mostra que o preço médio do metro quadrado em São Paulo subiu 2,3% no segundo trimestre deste ano, impulsionado pela alta do dólar e pela procura por imóveis de alto padrão.
Para o investidor comum, a vida de bilionário parece inatingível, mas a lógica de quem tem patrimônio de oito dígitos é diferente: o custo anual de R$ 450 milhões representa apenas 0,8% do patrimônio total. Especialistas da área de private banking, como o UBS Wealth Management, afirmam que esse percentual costuma ser coberto por rendimentos de aplicações conservadoras, que hoje rendem entre 8% e 10% ao ano em dólar. Ou seja, o bilionário não abre mão do luxo porque seu dinheiro trabalha para pagar a conta.
E a tendência é que esse custo aumente ainda mais. O relatório da consultoria McKinsey, publicado no último mês, aponta que os preços de iates e jatos devem subir 15% até 2028, puxados pela demanda asiática e pela escassez de estaleiros. Para quem sonha em chegar lá, a lição é simples: antes de comprar o jato e a mansão, é preciso ter o patrimônio que pague a manutenção sem fazer cócegas no orçamento. Mas, convenhamos — para nós, mortais, a conta de luz de uma mansão de 1.500 m² já seria suficiente para comprar um apartamento inteiro na planta.


