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Herança de R$ 8 bi: briga de 3 irmãos trava venda de 12 prédios em SP

Disputa familiar que começou com um testamento contestado em 2024 chega ao ápice esta semana: imóveis avaliados em R$ 8 bilhões estão sob bloqueio da Justiça, e a liquidação pode mudar o preço do metro quadrado na Faria Lima.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Herança de R$ 8 bi: briga de 3 irmãos trava venda de 12 prédios em SP

A herança bilionária da família Monteiro, uma das maiores proprietárias de imóveis comerciais de São Paulo, virou uma novela judicial que ganhou um novo capítulo nesta semana. Os três irmãos — Marcelo, Patrícia e Ricardo — disputam o controle de um patrimônio avaliado em R$ 8,2 bilhões, composto por 12 edifícios comerciais, incluindo uma torre inteira na Faria Lima. O inventário, aberto em 2024 após a morte do patriarca, segue travado por uma série de recursos que já somam mais de 40 decisões liminares.

Na última segunda-feira (17), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um novo pedido de Marcelo, o filho mais velho, que tentava suspender a venda de três ativos em Pinheiros. Na prática, a decisão libera a comercialização dos imóveis, mas os advogados de Patrícia já anunciaram que vão recorrer ao plenário — o que deve segurar o processo por mais alguns meses. "A cada liminar, o mercado perde uma oportunidade de absorver esses ativos", afirma a corretora Helena Vasconcelos, da Bossa Nova Sotheby's, que acompanha o caso de perto.

O imbróglio começou com um testamento de 2022, que dividia os bens de forma desigual: 60% para Marcelo, 30% para Patrícia e 10% para Ricardo. Os dois menores acusam o irmão de ter influenciado o pai em um momento de fragilidade. A perícia grafoscópica, concluída em março deste ano, apontou indícios de que a assinatura do patriarca pode ter sido forjada — um laudo que ainda será analisado em audiência marcada para setembro.

Enquanto a Justiça não decide, o patrimônio está congelado. Isso significa que os aluguéis dos 12 prédios — que geram cerca de R$ 45 milhões por ano — estão sendo depositados em juízo, sem que nenhum dos herdeiros receba um centavo. O bloqueio também impede novos contratos de locação, o que tem feito grandes empresas, como fintechs e escritórios de advocacia, procurarem outras regiões da cidade. "A Faria Lima está com vacancy rate de 12,4%, mas poderia ser menor se esses imóveis estivessem no mercado", explica o economista da Abrainc, Renato Meirelles.

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O caso ganhou contornos de espetáculo na semana passada, quando Patrícia publicou um vídeo nas redes sociais mostrando o interior de um dos prédios, com salas vazias e pichações — uma tentativa de pressionar a opinião pública. O vídeo já acumula mais de 2 milhões de visualizações no Instagram. Marcelo rebateu com uma nota oficial, afirmando que o patrimônio está bem conservado e que a irmã "quer transformar uma disputa jurídica em um circo midiático".

Para investidores, o caso serve de alerta sobre os riscos de sucessão. Segundo a B3, o número de disputas judiciais envolvendo heranças imobiliárias cresceu 34% no primeiro semestre de 2026, comparado ao mesmo período do ano passado. Especialistas recomendam que famílias com grandes patrimônios façam planejamento sucessório ainda em vida, com a criação de holdings e testamentos com cláusulas de blindagem.

Enquanto isso, o mercado observa. Corretores de imóveis comerciais de alto padrão já especulam que, se os prédios forem leiloados, o valor final pode ser 30% menor do que o avaliado, devido ao estado de conservação e à demora na venda. "Quem tiver liquidez pode fazer um bom negócio, mas é preciso paciência para atravessar a batalha judicial", conclui Helena Vasconcelos.

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