Governo amplia subsídio do MCMV e anuncia fusão com Casa Verde Amarela em julho de 2026
Nova faixa do Minha Casa Minha Vida terá juro zero para famílias de até R$ 2.850; programa unificado promete atingir 1,2 milhão de moradias até 2028.

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (16) a unificação definitiva do Minha Casa Minha Vida (MCMV) com o extinto Casa Verde Amarela, em medida que promete simplificar o acesso ao crédito imobiliário para famílias de baixa renda. A nova fase do programa, batizada de “MCMV 2026”, entra em vigor em 1º de agosto e prevê subsídios ampliados para a Faixa 1, com juros zero para contratos de até R$ 200 mil.
De acordo com dados divulgados pelo Ministério das Cidades, o teto de renda para a Faixa 1 subiu de R$ 2.640 para R$ 2.850 mensais, beneficiando cerca de 300 mil famílias que estavam na fila de espera. As novas regras também incluem a redução da taxa de juros para a Faixa 2, que caiu de 5,5% ao ano para 4,75% ao ano, conforme portaria publicada no Diário Oficial da União.
O anúncio ocorre em meio à reação do mercado imobiliário aos dados do último Copom, realizado em junho, que manteve a Selic em 10,25% ao ano. A queda esperada nos juros básicos para o segundo semestre de 2026 – projeção do Banco Central indica Selic a 9,75% em dezembro – deve dar fôlego extra ao crédito habitacional, especialmente para a classe média.
Segundo levantamento da Abrainc, os lançamentos de imóveis no primeiro semestre de 2026 cresceram 12% em relação ao mesmo período de 2025, puxados por empreendimentos enquadrados no MCMV. A entidade projeta que o novo pacote habitacional pode adicionar R$ 15 bilhões em investimentos no setor até o fim de 2027.
A fusão dos programas encerra uma dualidade que existia desde 2020, quando o Casa Verde Amarela substituiu o MCMV, mas ambos continuaram operando paralelamente por conta de contratos antigos. Com a unificação, as construtoras terão um regramento único de subsídio e um canal digital simplificado para aprovação de projetos, segundo o secretário nacional de Habitação, Pedro Almeida.
Críticos apontam que o valor máximo do imóvel para a Faixa 1, estabelecido em R$ 230 mil, pode ser insuficiente em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. O Secovi-SP estima que apenas 15% dos imóveis novos na capital paulista se encaixam nesse limite. Ainda assim, a medida é vista como um impulso para o interior e regiões metropolitanas de menor custo.
Para o investidor, a notícia sinaliza um ambiente favorável para fundos imobiliários ligados à habitação popular. O índice FipeZap de imóveis residenciais registrou alta de 0,7% em junho, acumulando 5,8% no semestre – bem acima da inflação projetada de 4,2% para 2026. Especialistas recomendam observar CRIs e cotas de fundos lastreados em empreendimentos do MCMV como alternativa de rendimento isento de IR.


