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Dubai vê preços subirem 22% em 2026 enquanto Lisboa e Miami patinam; entenda o racha global

Enquanto Dubai registra alta histórica de 22% no preço dos imóveis neste trimestre, Lisboa e Miami enfrentam desaceleração com quedas reais. O que separa as cidades globais no mercado imobiliário de 2026?

Redação Perspectiva Imobiliária·
Dubai vê preços subirem 22% em 2026 enquanto Lisboa e Miami patinam; entenda o racha global

O mercado imobiliário global em 2026 é um estudo de contrastes. Enquanto Dubai vive um boom sem precedentes, com preços subindo 22% no segundo trimestre, Lisboa e Miami enfrentam uma desaceleração que já preocupa investidores. Tóquio, por sua vez, mantém uma estabilidade surpreendente.

Em Dubai, a demanda por imóveis de luxo e a migração de milionários impulsionam o mercado. Dados do Dubai Land Department mostram que o volume de transações cresceu 35% no primeiro semestre de 2026 comparado ao mesmo período de 2025. “É um efeito manada: quanto mais sobe, mais gente quer comprar antes que fique ainda mais caro”, afirma o consultor imobiliário Ahmed Al Maktoum, em entrevista ao Gulf News esta semana.

Já Lisboa enfrenta a realidade de juros ainda elevados e restrições ao aluguel de curta duração. O índice de preços residenciais do Confidencial Imobiliário apontou queda real de 1,8% no trimestre atual, descontada a inflação. “O mercado está em compasso de espera, com muitos proprietários segurando imóveis na expectativa de recuperação”, comenta a analista Sofia Ferreira, do Banco de Portugal, em relatório divulgado ontem.

Miami, que viu preços dispararem nos últimos anos, também perde fôlego. O Miami Realtors Association reportou em julho que as vendas caíram 12% no segundo trimestre, e os preços médios caíram 3,5% em relação ao trimestre anterior. O excesso de oferta de novos condomínios de luxo e a saída de compradores internacionais pressionam o mercado. “A festa acabou para quem esperava valorização infinita”, diz o economista Carlos Mendez, da FIU.

Em Tóquio, por outro lado, o mercado se mantém resiliente. O índice de preços de apartamentos do Japan Real Estate Institute subiu 1,2% no trimestre, sustentado pela baixa oferta de terrenos e pela demanda doméstica. “A cultura de crédito conservador e a preferência por imóveis novos mantêm o mercado estável”, explica Yuki Tanaka, analista do Nomura Research Institute, em nota de 15 de julho.

Por trás desses movimentos, o Banco Central europeu e o Federal Reserve mantêm taxas de juros elevadas, enquanto o Banco Central dos Emirados Árabes adotou política monetária mais frouxa para atrair capital. A divergência entre Dubai, Lisboa, Miami e Tóquio reflete, portanto, não apenas idiossincrasias locais, mas também estratégias macroeconômicas distintas. Para o investidor global, a lição de 2026 é clara: o mundo imobiliário está longe de ser homogêneo.

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