FIIs: os 5 fundos que mais subiram nesta semana e pagam até 14% ao ano
Enquanto o IFIX patina, uma seleta lista de fundos imobiliários disparou com a queda dos juros futuros. Veja quais são e o que explica o rali — antes que o mercado precifique tudo.

O IFIX fechou a semana em 3.412 pontos, alta de 1,8% — o melhor desempenho semanal desde maio. Mas por trás do número agregado, cinco fundos imobiliários subiram entre 4% e 7% em apenas cinco pregões, segundo dados consolidados da B3 até a última sexta-feira (18). O movimento não é coincidência: a ata do Copom divulgada na terça-feira (15) sinalizou espaço para cortes adicionais na Selic ao longo do quarto trimestre, e o mercado de FIIs reagiu antes mesmo da curva de juros futuros. Quem estava posicionado em fundos de papel indexados ao CDI e em fundos de tijolo com contratos atípicos capturou boa parte desse rali.
O destaque da semana foi o Kinea Índices de Preços (KNIP11), que avançou 5,2% e acumula valorização de 11,4% em setembro. O fundo, que investe em CRIs atrelados ao IPCA, se beneficia diretamente da perspectiva de inflação controlada combinada com juros em queda — um cenário que comprime o deságio das cotas e amplia o carrego. Na sequência, o BTG Pactual Logística (BTLG11) subiu 4,7% após anunciar a renovação antecipada de dois contratos logísticos em Cajamar (SP) com reajuste de 8,3% pelo IGP-M. O mercado leu o movimento como sinal de resiliência do segmento mesmo com a oferta crescente de galpões nos últimos 18 meses.
O terceiro nome da lista é o Maxi Renda (MXRF11), que subiu 4,1% e segue como o FII mais negociado da B3, com volume diário médio de R$ 28 milhões em setembro. O fundo, que investe majoritariamente em CRIs high grade, viu seu dividend yield projetado para os próximos 12 meses recuar de 12,8% para 11,9% — o que, num ambiente de Selic a 9,25%, ainda representa um prêmio relevante sobre o CDI. Na quarta posição aparece o Rio Bravo Crédito Imobiliário (RBVA11), com alta de 3,9%, impulsionado pela conclusão da venda de dois imóveis corporativos em São Paulo por R$ 142 milhões, acima do valor contábil.
Fechando o top 5, o CSHG Recebíveis Imobiliários (HGCR11) registrou ganho de 3,6% na semana. O fundo, que tem 68% da carteira em CRIs com garantia real, se beneficiou do movimento de fechamento de spreads de crédito imobiliário, que caíram 22 pontos-base no mês, segundo a Anbima. Para o gestor, o cenário segue favorável: "Com a Selic convergindo para um dígito, o custo de oportunidade dos FIIs de papel diminui e o investidor volta a olhar para o carrego", afirmou em carta semanal enviada a cotistas.
Nem tudo é euforia, porém. O Ifix ainda acumula queda de 2,3% no trimestre, pressionado principalmente por fundos de shopping centers e lajes corporativas, que sofrem com a vacância persistente em regiões como a Faria Lima e a Berrini. A taxa de vacância física média dos FIIs de escritório ficou em 21,4% em agosto, segundo a Secovi-SP — um dos patamares mais altos da série histórica recente. A recomendação de analistas é seletividade: priorizar fundos com contratos longos, inquilinos de alta qualidade de crédito e liquidez diária acima de R$ 5 milhões.
Para o investidor pessoa física, o momento exige atenção ao calendário. O Copom volta a se reunir nos dias 4 e 5 de novembro, e o mercado já precifica corte de 0,5 ponto na Selic. Se confirmado, fundos de papel com duration mais longa tendem a capturar ganho de capital adicional, enquanto fundos de tijolo com contratos indexados ao IPCA podem demorar mais para repassar o alívio. A dica dos gestores ouvidos pela reportagem é clara: não persiga o rali da semana passada, mas monte posição nos fundos que ainda negociam com deságio superior a 10% sobre o valor patrimonial — há pelo menos 14 deles listados na B3 com essa característica neste momento.


