Valorização imobiliária: 3 cidades sobem até 2,9% em um trimestre e puxam o ranking
João Pessoa, Maceió e Curitiba lideram os ganhos de preço no trimestre encerrado em agosto, segundo dados frescos do FipeZap. A três meses do fim do ano, a disparada pode mudar seu plano de compra.

Quem comprou imóvel em João Pessoa nos últimos 12 meses viu o metro quadrado subir mais rápido do que em qualquer outra capital do país. Segundo o Índice FipeZap de agosto, divulgado nesta semana, a capital paraibana acumulou alta de 2,9% só no trimestre junho-julho-agosto de 2026 — o melhor desempenho entre as 56 cidades monitoradas. Na sequência aparecem Maceió (2,6%) e Curitiba (2,3%), que roubou de Florianópolis a liderança entre as capitais do Sul. Os números consideram preços anunciados de imóveis residenciais à venda e já descontam a inflação do período, que ficou em 1,1% pelo IPCA.
O movimento não é isolado. No acumulado de 2026, João Pessoa soma 7,4% de valorização real, Maceió 6,8% e Curitiba 6,1% — todas acima da média nacional de 4,2%, que já é a maior desde 2021. Na outra ponta, Porto Alegre (-0,4%) e Belo Horizonte (-0,2%) registraram leve queda no trimestre, pressionadas pelo excesso de lançamentos na faixa de alto padrão. São Paulo e Rio de Janeiro, os dois maiores mercados do país, ficaram praticamente estáveis: +0,7% e +0,5%, respectivamente.
Por trás da disparada nordestina está uma combinação que o mercado vinha ignorando. O turismo de longo prazo — aposentados e trabalhadores remotos que passaram a morar na costa — segue aquecendo a demanda por imóveis de 2 e 3 dormitórios. Em João Pessoa, o aluguel por temporada já responde por 18% das locações, segundo a Secovi-PB, e a oferta de terrenos na orla está no menor nível em cinco anos. Já Curitiba atrai um fluxo diferente: famílias que deixam o interior do Paraná e Santa Catarina em busca de emprego no polo tecnológico, o que empurrou o preço médio do metro quadrado para R$ 9.870, superando Florianópolis pela primeira vez.
O cenário de juros ajuda, mas não explica tudo. Na última reunião, em 16 de setembro, o Copom manteve a Selic em 8,75% ao ano, sinalizando estabilidade até dezembro — patamar que torna o financiamento imobiliário mais barato do que a média histórica recente. Ainda assim, o crédito habitacional cresceu 11% no trimestre ante igual período de 2025, segundo a Abrainc, com destaque para imóveis de até R$ 500 mil. É justamente nessa faixa que a valorização tem sido mais intensa: 60% das cidades do ranking registraram alta real acima de 2% nos imóveis populares, contra 1,3% nos de alto padrão.
Para quem pensa em investir, o alerta é não comprar pelo mapa. A valorização de João Pessoa e Maceió está concentrada em bairros específicos — como Cabo Branco e Ponta Verde, na Paraíba, e Pajuçara, em Alagoas —, onde o preço do metro quadrado já subiu mais de 20% em 12 meses. Em áreas mais afastadas, o ganho não passou de 3% no ano. Em Curitiba, o movimento se repete: Batel e Água Verde concentram os maiores ganhos, enquanto a região sul da cidade tem oferta sobrando. A recomendação de analistas ouvidos pela reportagem é clara: antes de assinar, cheque o preço médio do bairro nos últimos seis meses e compare com o valor pedido.
O que esperar até dezembro? Com a Selic estável e a oferta de crédito aquecida, a tendência é que o ranking do trimestre se mantenha praticamente o mesmo, com uma possível surpresa: Recife, que subiu 2,1% em agosto e pode entrar no pódio até novembro. Já o Sul deve seguir dividido entre o avanço de Curitiba e a acomodação de Porto Alegre. Para o investidor de médio prazo, as cidades nordestinas ainda oferecem o melhor retorno sobre aluguel — o yield médio em João Pessoa é de 6,8% ao ano, contra 4,9% em São Paulo. O recado é direto: quem esperar o fim do ano para comprar pode pagar até 4% mais caro pelo mesmo imóvel.


