FIIs disparam 12% com Selic em 12,75%: os 5 fundos que lideram a alta da semana
Com o Copom interrompendo o ciclo de cortes, os fundos imobiliários de tijolo e papel reagem de forma desigual. Veja quem lucrou até R$ 48 mi na semana e o que fazer agora.

A semana que começou com o Copom mantendo a Selic em 12,75% ao ano terminou com os fundos imobiliários (FIIs) registrando a maior alta semanal desde janeiro. O Ifix, índice da B3 que reúne os principais fundos do país, subiu 3,2% entre os dias 10 e 14 de agosto, impulsionado pela queda dos juros futuros e pelo ingresso líquido de R$ 1,4 bilhão em novas cotas, segundo dados da Anbima.
Entre os destaques, os FIIs de papel, que investem em CRIs e LCIs, lideraram os ganhos, com uma valorização média de 12% no período. O fundo XPIN11, por exemplo, saltou de R$ 98,50 para R$ 110,30 em apenas cinco pregões, depois de anunciar a distribuição de dividendos de R$ 1,20 por cota para este mês, um rendimento de 1,15% ao mês.
No segmento de tijolo, os fundos de galpões logísticos se beneficiaram da alta dos preços dos aluguéis — que subiram 7,8% no trimestre, segundo a Secovi. O GARE11, que concentra ativos em São Paulo e Guarulhos, registrou alta de 8,4% na semana, com a notícia de que um de seus inquilinos, uma grande varejista online, renovou o contrato por mais 10 anos com reajuste de 14%.
A disparada foi puxada também pelo chamado "efeito Copom": com a Selic estável, os investidores passaram a procurar rendimentos melhores que o CDI, que hoje paga cerca de 13,5% ao ano. Segundo levantamento da XP, a entrada de dinheiro em FIIs na semana foi a maior dos últimos 12 meses, com destaque para os fundos com dividend yield acima de 10%.
Mas a alta não foi uniforme. Enquanto fundos como o KNRI11 e o MXRF11 avançaram 5% e 6%, respectivamente, outros, como o HGLG11, amargaram queda de 2,3% após a notícia de que um de seus maiores inquilinos pediu recuperação judicial. O caso acendeu o alerta para a importância da diversificação setorial dentro da carteira.
Para o analista Bruno Saraiva, da consultoria GRI, "a tendência de curto prazo é positiva, mas os investidores devem olhar além do dividendo: a vacância média dos fundos de lajes corporativas ainda está em 18%, quase o dobro do nível pré-pandemia, e isso pode pressionar os resultados no segundo semestre".
A recomendação dos especialistas é aproveitar a alta para rebalancear a carteira, vendendo fundos com prêmio excessivo e comprando papéis com desconto sobre o valor patrimonial, como os de shopping centers, que negociam com 12% de desconto e DY médio de 11,5%.
Nesta sexta-feira (18), o Ifix fechou aos 3.240 pontos, acumulando alta de 4,1% no mês e de 22,7% no ano, superando o Ibovespa, que subiu 14,3% no mesmo período. Para a próxima semana, o mercado de olho na ata do Copom e na divulgação do IPCA-15, que pode dar pistas sobre o próximo movimento da taxa de juros.


