FIIs de tijolo sobem 8% na semana: 3 fundos que lideraram os ganhos
Enquanto o IFIX acumula alta de 2,3% desde o Copom, fundos de lajes corporativas e shoppings dispararam. Veja os papéis que mais valorizaram e se ainda há espaço para compra.

A semana foi marcada por um rali nos fundos imobiliários de tijolo, com o IFIX fechando o pregão desta quarta-feira (19) aos 3.412 pontos, alta de 2,3% no acumulado dos últimos cinco dias, segundo dados da B3. O movimento foi puxado pela percepção de que o ciclo de cortes da Selic, iniciado no Copom de junho, ganhou tração, com o mercado precificando nova redução em setembro.
Entre os destaques, o XP MALLS (XPML11) registrou valorização de 8,4% na semana, impulsionado pela divulgação de vendas 12,7% maiores no trimestre atual, reflexo do bom desempenho do varejo físico em julho. Já o BR Properties (BRPR11) subiu 7,9%, apesar da vacância ainda elevada, em um movimento de correção após quedas recentes. O CSHG Prime Offices (HGPO11) completou o pódio, com alta de 7,2%, beneficiado pela queda dos juros futuros e pelo anúncio de novo locatário em um de seus ativos em São Paulo.
O cenário macro ajuda a explicar o apetite por ativos de tijolo. No último Copom, realizado no fim de julho, o Banco Central cortou a Selic em 0,50 ponto percentual, para 10,75% ao ano, e sinalizou novos cortes até o fim de 2026. Com isso, a curva de juros real caiu para cerca de 6,8%, o que aumenta o fluxo para fundos que pagam dividendos acima de 8% ao ano, como é o caso da maioria dos FIIs de tijolo listados na B3.
A gestão da XP Asset, em relatório enviado a clientes nesta semana, apontou que a relação entre preço e valor patrimonial (P/VP) dos fundos de tijolo voltou a patamares de 0,85, abaixo da média histórica de 0,95, o que sugere espaço para valorização adicional de 10% a 15% até o fim do ano. “O mercado está precificando um risco que não se materializou: a inadimplência nos contratos atípicos”, afirmou o analista-chefe de fundos imobiliários, Rafael Camargo.
No entanto, é preciso cautela. Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária alertam que a alta recente pode ser volátil, especialmente se o Copom de setembro frustrar as expectativas. “O investidor que entrou agora precisa ter horizonte de pelo menos 12 meses, pois a renda mensal dos fundos de tijolo, apesar de atrativa, ainda está abaixo da inflação em alguns casos”, avalia a analista da Rico, Marina Salles. Ela recomenda diversificar entre segmentos, como logística e shoppings, para mitigar riscos setoriais.
Para quem quer aproveitar o momento, a dica é selecionar fundos com contratos de longo prazo, indexados ao IPCA ou ao IGP-M, e com baixa vacância. Na avaliação da Suno Research, os destaques da semana ainda têm fôlego: XPML11 e BRPR11 seguem com preços abaixo do valor patrimonial e podem ser opções para quem busca renda e valorização no segundo semestre. Contudo, a recomendação geral é de acompanhar de perto a próxima reunião do Copom, marcada para 16 e 17 de setembro, que deve ditar o rumo dos FIIs nas próximas semanas.


