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FIIs de tijolo saltam 8% na semana: 3 fundos que lideram os ganhos

Enquanto o Ibovespa patina, fundos de shopping e lajes corporativas dispararam. Veja quais FIIs puxaram o IFIX e por que o fluxo estrangeiro acelerou em agosto. Dados da B3 e da consultoria Uqbar revelam os destaques.

Redação Perspectiva Imobiliária·
FIIs de tijolo saltam 8% na semana: 3 fundos que lideram os ganhos

A semana que se encerra em 31 de agosto de 2026 ficará marcada para os investidores de fundos imobiliários. O IFIX, principal índice do setor, acumulou alta de 2,3% em cinco pregões, mas alguns fundos de tijolo foram muito além: saltaram até 8%, impulsionados por um fluxo estrangeiro que não se via desde o início do ano. Dados da B3 mostram que a entrada líquida de capital não residente em FIIs somou R$ 1,2 bilhão na semana, o maior volume desde a última semana de março.

Entre os destaques, o CSHG Renda Urbana (HGRU11) liderou os ganhos, com valorização de 8,2% no período, fechando a semana cotado a R$ 142,30. O fundo, que concentra lajes corporativas em São Paulo, foi beneficiado pela revisão de laudos de avaliação que apontou elevação de 12% no valor patrimonial das propriedades. Já o XP Malls (XPML11) subiu 6,9%, para R$ 118,75, depois que a administradora anunciou a venda de participações em dois shoppings no Nordeste por R$ 450 milhões — o valor ficou 15% acima do avaliado no laudo de dezembro.

O terceiro nome da lista é o VBI Logística (LVBI11), que avançou 5,7%, cotado a R$ 98,40. O fundo se beneficiou da alta de 4,3% nos preços de locação de galpões logísticos no trimestre, conforme levantamento da consultoria Uqbar. A taxa de vacância do portfólio caiu de 9,1% para 7,8% entre maio e julho, e dois contratos indexados ao IPCA foram renovados com reajuste de 6,2%.

Por que essa disparada agora? O último Copom, realizado no início de agosto, manteve a Selic em 9,75% ao ano, mas o comunicado trouxe tom mais duro, indicando possível alta em setembro. Isso elevou a aversão a risco na renda variável tradicional, mas os FIIs de tijolo surfaram na renda de aluguéis, que segue indexada a IPCA de 4,8% no acumulado de 12 meses. O fluxo estrangeiro, que estava reprimido desde o segundo trimestre, voltou atraído pelo dividend yield médio de 9,2% desses fundos, ante 6,5% do Ibovespa.

Para o investidor, o momento exige seletividade. Especialistas ouvidos pela reportagem recomendam olhar para fundos com vacância baixa e contratos atípicos. "A alta desta semana foi puxada por eventos pontuais, como vendas e revisões de laudo. Não é uma alta generalizada de fundamentos", alerta Mariana Cohen, analista da Suno Research. Ela sugere cautela com fundos de papel, que podem sofrer com a possível alta da Selic. Já os de tijolo, especialmente os de logística e shoppings, continuam atrativos no longo prazo.

O IFIX encerrou a semana aos 3.452 pontos, ainda distante da máxima histórica de 3.600 registrada em maio. Com a agenda econômica da próxima semana trazendo a ata do Copom e o IPCA-15 de agosto, a expectativa é de volatilidade. Mas o recado da semana foi claro: quem estava posicionado nos fundos certos colheu ganhos expressivos. A dica é acompanhar os relatórios gerenciais de agosto, que começam a sair na segunda quinzena de setembro, para identificar quais fundos realmente estão entregando valor.

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