FIIs de tijolo disparam 12% na semana; veja os 5 fundos que lideram
Em meio à Selic em 13,75%, fundos de shopping e lajes corporativas surpreendem com rendimentos acima de 1,2% ao mês. Levantamento exclusivo revela as melhores oportunidades para agosto.

O IFIX, principal índice de fundos imobiliários da B3, subiu 2,3% na semana encerrada em 7 de agosto, impulsionado por uma correção técnica e pela queda dos juros futuros. Mas o que chama atenção são os FIIs de tijolo, que avançaram, em média, 12% no período, segundo dados da Economatica.
Os cinco fundos que lideraram os ganhos foram: XP Malls (XPML11), com alta de 15,4%; VBI Prime Properties (PVBI11), com 14,8%; Rio Bravo Renda Corporativa (RCRB11), com 14,2%; CSHG Renda Urbana (HGRU11), com 13,9%; e Kinea Renda Imobiliária (KNRI11), com 13,1%. Em comum, todos têm alta exposição a lajes corporativas e shoppings de alto padrão.
O movimento foi puxado pela ata do Copom divulgada na terça-feira (4), que indicou fim do ciclo de alta de juros. Com a Selic estacionada em 13,75%, os investidores voltaram a buscar renda com desconto, e os FIIs de tijolo, que estavam depreciados, se tornaram alvo de recompras. Segundo a Abrainc, a venda de imóveis prontos cresceu 8% no segundo trimestre, sinalizando melhora na demanda.
Entre os destaques, o XPML11 anunciou na quarta-feira (5) a venda de um terreno em Belo Horizonte por R$ 180 milhões, com cap rate de 8,9%. Já o PVBI11 divulgou a aquisição de um edifício corporativo no Faria Lima por R$ 420 milhões, elevando o patrimônio do fundo em 12%. Esses anúncios reforçaram a confiança dos cotistas.
Para o analista Andrey Duarte, da consultoria Suno Research, o movimento pode ter fôlego, mas é preciso cautela. “Os FIIs de tijolo ainda negociam com desconto de 15% a 20% em relação ao valor patrimonial, mas a recuperação depende da manutenção da inflação sob controle e da queda gradual da Selic no quarto trimestre”, avalia.
O investidor que quiser aproveitar o momento deve observar a liquidez dos papéis e o histórico de distribuição de rendimentos. No último mês, os cinco fundos citados pagaram, em média, 1,2% do valor de mercado em dividendos, acima da poupança e do CDI. Mas a recomendação é diversificar, mantendo exposição também a fundos de papel, que seguem protegidos contra a volatilidade.
Com a perspectiva de juros estáveis e inflação em 4,2% no acumulado de 12 meses (dado do IPCA de julho), o segundo semestre tende a ser mais favorável para o setor. Os especialistas indicam que a seleção criteriosa de FIIs com bons gestores e ativos bem localizados pode gerar retornos acima do IFIX nos próximos meses.


