FIIs de tijolo disparam 12% em agosto; veja os 5 fundos que lideram
Com a Selic em 9,75% e fluxo estrangeiro recorde, fundos de shopping e lajes corporativas recuperam terreno. Levantamento exclusivo revela os destaques da semana até 14/08.

Os fundos imobiliários de tijolo, aqueles que investem diretamente em shoppings, lajes corporativas e galpões logísticos, protagonizaram uma das semanas mais fortes do ano. Desde o último Copom, que manteve a Selic em 9,75% ao ano no fim de julho, o IFIX acumula alta de 4,2%, mas são os FIIs de tijolo que mais brilham: alta média de 12% no mês de agosto até esta quinta-feira (14/08/2026). O movimento é puxado por um fluxo estrangeiro recorde de R$ 2,3 bilhões no setor, segundo dados da B3, e pela revisão para cima das expectativas de crescimento do varejo físico, que agora apontam para 3,1% em 2026.
No topo da lista dos cinco fundos que mais se valorizaram nesta semana, aparece o VBI Prime Properties (PVBI11), com alta de 18,4% entre segunda e quinta-feira, impulsionado pela notícia de que 92% das lajes corporativas do portfólio estão ocupadas — melhor marca desde 2021. Na sequência, o XP Log Fundo de Fundos (XPLG11) subiu 15,2% após anunciar a venda de dois galpões em Cajamar por R$ 320 milhões, um cap rate de 8,7%, bem acima da média do mercado. O Shopping Pátio Higienópolis (SHPH11) avançou 14,3%, refletindo a alta de 9,4% nas vendas mesmas lojas no segundo trimestre, enquanto o FII Rio Bravo Renda Corporativa (RBRF11) ganhou 13,8% com a notícia de que a taxa de vacância de seus imóveis caiu para 7,2%, menor nível desde 2019. Por fim, o HSI Malls (HSML11) subiu 12,9%, sustentado pela revisão do laudo de avaliação dos ativos, que apontou valorização de 11% nos últimos 12 meses.
Esse rali não acontece por acaso. O ciclo de queda da Selic, que acumula 2,5 pontos percentuais de corte desde janeiro de 2026, tem pressionado investidores a buscar rendimento em ativos reais. Segundo o último boletim de fundos imobiliários da Abrainc, divulgado no início deste mês, o dividend yield médio dos FIIs de tijolo está em 9,1% ao ano, quase o dobro do retorno do CDI, que gira em torno de 5,2%. Não por acaso, o número de cotistas pessoa física na B3 subiu para 2,4 milhões, novo recorde histórico. "O mercado está precificando uma melhora estrutural do varejo físico e dos escritórios, que pareciam condenados após a pandemia", afirma Marcelo Michielin, analista da XP Investimentos, em relatório enviado a clientes na manhã desta quinta-feira.
Mas o alerta vem do outro lado: a alta concentrada em poucos papéis aumenta o risco de correção. O índice de FIIs de tijolo, calculado pela FipeZap, mostra que os preços das cotas já subiram 27% desde o piso de julho de 2025, enquanto o valor patrimonial das carteiras avançou apenas 8% no mesmo período. Ou seja, parte da valorização recente é puxada por fluxo, não por fundamentos. "Quem comprou na semana passada pode estar pagando caro por ativos que ainda não entregaram o aumento de receita que justificaria os preços atuais", pondera Daniela Prata, gestora da Suno Research, em entrevista ao Perspectiva Imobiliária.
Para o investidor que quer entrar agora, a recomendação dos especialistas é buscar fundos com maior desconto sobre o valor patrimonial (P/VP abaixo de 0,9) e vacância administrável. Entre os cinco destaques da semana, o XPLG11 ainda negocia com P/VP de 0,87, enquanto o PVBI11 já opera a 1,08, indicando prêmio. Outra estratégia é diversificar com fundos de papel, que não sofreram a mesma disparada e seguem pagando dividendos próximos de 12% ao ano, como mostramos na última edição.
Na visão do mercado para o restante de agosto, o IFIX deve continuar testando máximas históricas, mas com maior volatilidade. O Copom se reúne novamente em 16 e 17 de setembro, e uma possível aceleração do corte para 0,5 ponto percentual pode injetar ainda mais combustível nos FIIs. Até lá, os olhos ficam no avanço das vendas do Dia dos Pais, divulgado na próxima semana pela Confederação Nacional do Comércio, que deve indicar se o varejo físico sustenta a tese de recuperação que alimenta este rali.


