FIIs de tijolo disparam 12% com IPCA-15 acima do teto; veja os 5 destaques
Fundos de shopping e logística lideram ganhos na semana após IPCA-15 surpreender e derrubar juros futuros. Levantamento exclusivo mostra os papéis que mais subiram e os riscos para quem entra agora.

A semana foi histórica para os fundos imobiliários de tijolo. Com o IPCA-15 de julho divulgado na última terça-feira (4) vindo acima do teto das expectativas — 0,84% no mês, ante projeção de 0,72% —, o mercado inverteu o discurso sobre o ciclo de cortes da Selic e jogou os juros futuros para baixo. O resultado: o IFIX acumulou alta de 2,1% em cinco pregões, mas os FIIs de shopping e logística foram muito além, com ganhos de até 12% no período.
Segundo levantamento feito pela consultoria Economia & Fundos, com base nos preços de fechamento da B3 desta quinta-feira (6), os cinco FIIs que mais se valorizaram na semana foram: XPML11 (+12,4%), com a recuperação das vendas no varejo; HGLG11 (+10,8%), puxado pela demanda por galpões logísticos no e-commerce; VISC11 (+9,7%), com a reabertura de shoppings no Nordeste; KNRI11 (+8,9%), de renda urbana, e BRCO11 (+8,2%), de lajes corporativas em São Paulo.
O gatilho foi o Copom. Na ata da reunião da semana passada, o comitê sinalizou que pode acelerar o ritmo de cortes na próxima decisão, em setembro, caso a inflação continue comportada. Com isso, a taxa de juros real caiu para 6,8% ao ano, o menor nível desde 2021, tornando os dividendos dos FIIs — que hoje pagam em média 9,4% ao ano, acima do CDI — ainda mais atrativos em comparação com a renda fixa.
Mas nem tudo é festa. Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que a alta concentrada em poucos papéis pode indicar movimento especulativo. "O investidor está comprando o fluxo, não o fundamento", afirma Carla Mello, analista da gestora Vértice. Ela recomenda cautela com FIIs de shopping, que ainda sofrem com vacância de 8,2% no setor, e sugere olhar para fundos de papel, como os de CRI, que se beneficiam diretamente da queda dos juros e têm menor volatilidade.
Outro ponto de atenção é a próxima leitura do IPCA-15, prevista para 19 de agosto. Se o número vier acima do esperado novamente, o Copom pode rever o tom dovish e os juros futuros voltam a subir, derrubando as cotas. Por isso, a recomendação é diversificar e evitar concentrar a carteira em um único segmento.
Para quem quer entrar agora, os analistas sugerem acompanhar o dividend yield dos fundos e a liquidez das cotas. Fundos com DY acima de 10% e volume médio diário superior a R$ 5 milhões são os mais indicados para quem busca renda previsível sem sustos. Entre os destaques da semana, o KNRI11 aparece como o mais líquido, com R$ 18 milhões negociados por dia.
No trimestre atual, a perspectiva segue positiva para o setor imobiliário, com a retomada do emprego e a queda gradual da taxa básica. Mas o cenário pode mudar rapidamente. Fique de olho no calendário econômico e nos balanços dos fundos, que começam a ser divulgados a partir da próxima semana.


