FIIs de papel disparam 12% na semana; veja os 5 fundos que lideram
Com o Copom segurando a Selic em 12,75%, os FIIs de CRIs voltaram a ser os queridinhos da B3. Levantamento exclusivo mostra quais fundos subiram mais e por que ainda há espaço para ganho.

A semana foi histórica para os fundos imobiliários de papel. Enquanto o Ibovespa amargava mais uma queda de 0,8%, os FIIs de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) dispararam, com alta média de 12% no período, segundo levantamento do portal Perspectiva Imobiliária com dados da B3 e da Economática. O movimento foi puxado pela decisão do Copom da última quarta-feira, que manteve a Selic em 12,75% ao ano, mas indicou que o ciclo de cortes pode começar já em setembro.
Entre os destaques, o Fundo Max Renda (MXRI11) subiu 14,3% na semana, negociado a R$ 105,20, com dividend yield anualizado de 11,8%. Na sequência aparecem o CSHG Recebíveis (HGCR11), com alta de 13,7%, e o Kinea Renda Imobiliária (KNRI11), que avançou 12,9%. Completam a lista o XP Malls (XPML11), que subiu 12,1% após a reabertura de shoppings em São Paulo, e o VBI CRI (VBI11), com 11,5% de valorização.
O que explica esse movimento? Segundo analistas da XP Investimentos, o mercado já precifica uma queda de 0,5 ponto percentual na Selic já na reunião de setembro, o que reduziria a atratividade dos títulos de renda fixa pós-fixados e empurraria investidores para ativos com maior prêmio de risco, como os FIIs de papel. Além disso, a inflação medida pelo IPCA de julho veio abaixo do esperado, em 0,12%, reforçando a tese de afrouxamento monetário.
Outro fator de alta foi o forte fluxo de capital estrangeiro. Dados da Anbima mostram que os fundos imobiliários captaram R$ 1,8 bilhão só nesta semana, o maior volume desde maio. Os estrangeiros, que vinham vendendo no primeiro semestre, voltaram a comprar, especialmente os fundos com maior liquidez e histórico de distribuição consistente.
Mas nem tudo é festa. O estrategista-chefe da Órama, Alexandre Espirito Santo, alerta que a alta pode ter sido exagerada em alguns papéis, como o MXRI11, que já negocia com prêmio de 8% sobre o valor patrimonial. "Investidores que entrarem agora precisam ter paciência, pois o ajuste pode vir nas próximas semanas", pondera. Para quem busca renda, a recomendação é manter a diversificação e focar em fundos com lastro de qualidade e gestão ativa.
Para o trimestre, a expectativa é de mais ganhos. O boletim Focus divulgado nesta sexta-feira projeta a Selic em 11,5% até o fim do ano, o que deve continuar beneficiando os FIIs de papel. Fundos com contratos indexados ao CDI, como os de CRIs pós-fixados, tendem a se valorizar ainda mais. Por outro lado, os FIIs de tijolo, como lajes corporativas e galpões logísticos, podem sofrer com a vacância ainda alta em algumas regiões.
Fique de olho na próxima semana, quando sai o IGP-M de agosto e a prévia da inflação de setembro, dados que podem dar o tom do mercado. E lembre-se: em cenário de queda de juros, o que manda é a qualidade do portfólio e a capacidade de pagamento dos emitentes. Diversificar entre papel e tijolo continua sendo a melhor estratégia.


