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FIIs: 2 fundos imobiliários que pagaram 14% de dividendos nesta semana

Enquanto o IFIX recuava 0,8%, dois FIIs de tijolo surpreenderam com rendimentos acima de 14% ao ano. Veja quais são e se ainda há espaço para comprar.

Redação Perspectiva Imobiliária·
FIIs: 2 fundos imobiliários que pagaram 14% de dividendos nesta semana

O mês de agosto de 2026 está sendo um dos mais voláteis para os fundos imobiliários desde a virada do ano, mas nem todos os FIIs seguiram a mesma direção. Enquanto o IFIX acumula queda de 0,8% na semana, dois fundos de tijolo se destacaram ao distribuir dividendos equivalentes a mais de 14% ao ano, puxados por reajustes de aluguel e pela venda de ativos não estratégicos.

O primeiro é o FII XP Malls (XPML11), que anunciou na última terça-feira (25) a distribuição de R$ 1,20 por cota, um rendimento anualizado de 14,2% sobre o preço da cota na data de corte. O resultado foi impulsionado pela renovação de contratos em três shoppings no Nordeste, com reajuste médio de 8,3% — bem acima da inflação projetada para o período. A gestão do fundo confirmou que o lucro por cota no semestre cresceu 12% em relação ao primeiro semestre de 2025.

O segundo destaque é o FII Rio Bravo Renda Corporativa (RBRC11), que distribuiu R$ 0,95 por cota, equivalente a 14,5% ao ano, após concluir a venda de um imóvel de lajes corporativas em São Paulo, na região da Berrini. O ganho de capital com a operação, de R$ 18 milhões, será pago de forma diluída nos próximos três meses, mas a gestão optou por antecipar parte dos proventos para atrair novos cotistas antes do próximo ciclo de emissão de cotas.

Apesar dos números atrativos, analistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária recomendam cautela. Segundo a última edição do relatório mensal da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os FIIs de tijolo ainda sofrem com a alta da vacância em lajes corporativas — que chegou a 22,4% no segundo trimestre, segundo dados da Secovi-SP. O cenário macro também pesa: o último Copom, realizado no início de agosto, manteve a Selic em 12,75% ao ano, o que mantém o juro real elevado e pressiona o preço das cotas na bolsa.

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Especialistas apontam que, para o investidor pessoa física, o mais seguro é buscar fundos com contratos atípicos (como os de logística e shoppings com âncoras) e acompanhar o dividend yield de curto prazo com desconfiança. "O DY isolado não diz nada. Fundos que pagam 14% ao ano podem estar distribuindo devolução de capital ou alavancagem pontual. O importante é verificar se o lucro recorrente sustenta esse patamar", afirma Carla Menezes, analista sênior da Suno Research, em entrevista concedida a nossa equipe nesta quinta-feira (27).

Para quem está de olho em novas posições, o mercado secundário tem mostrado oportunidades: o XPML11 negocia com desconto de 4,5% sobre o valor patrimonial da cota, enquanto o RBRC11 está praticamente no preço justo. Mas, com a expectativa de nova alta de juros no Copom de setembro, o consenso entre corretores é de que a entrada agora é para quem tem horizonte de longo prazo — pelo menos 24 meses.

Por fim, o investidor deve ficar atento à agenda da próxima semana: os balanços de mais de 40 fundos serão publicados até o dia 3 de setembro, e os dividendos de agosto podem indicar se a distribuição generosa vista nesta semana é tendência ou exceção. Como sempre, a recomendação é diversificar e, antes de comprar, ler o relatório gerencial do fundo — que, neste mês, está mais transparente do que nunca, graças às novas regras da CVM que passaram a valer em julho.

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