Fiagro dispara 12% e vira o queridinho dos investidores em agosto
Fundo do agronegócio supera FIIs tradicionais com rendimento de 1,1% ao mês; entenda a nova onda do agro listado na B3

O mercado de fundos imobiliários vive uma revolução silenciosa. Enquanto os FIIs tradicionais lutam para manter a rentabilidade em um cenário de juros elevados, uma categoria tem chamado a atenção dos investidores: os Fiagros. Só neste mês, o índice de Fiagros da B3 acumula alta de 12%, impulsionado pela expectativa de safra recorde e pela nova regra do Conselho Monetário Nacional que permite a alocação de até 20% do patrimônio em cotas de outros fundos.
O movimento ganhou força após o último Copom, que manteve a Selic em 12,75% ao ano. Com o juro real ainda alto, os investidores buscaram alternativas com rendimentos mais atrativos. Os Fiagros, que hoje pagam em média 1,1% ao mês, ou 13,2% ao ano, com isenção fiscal para pessoa física, tornaram-se uma opção tentadora frente aos FIIs de tijolo, que rendem cerca de 0,8% ao mês.
Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que o patrimônio líquido dos Fiagros saltou de R$ 18 bilhões em janeiro para R$ 27 bilhões em julho. Só na primeira quinzena de agosto, foram captados R$ 1,2 bilhão em novas ofertas, segundo a B3. O movimento é puxado por fundos como o Fiagro ABC, que anunciou esta semana a aquisição de duas fazendas produtoras de soja no Mato Grosso por R$ 250 milhões.
Especialistas, no entanto, alertam para os riscos. O Fiagro é um investimento atrelado ao agronegócio, setor sujeito a oscilações climáticas e de preços de commodities. “O rendimento é atrativo, mas o investidor precisa diversificar e entender que a liquidez pode ser menor em momentos de estresse”, afirma analista da Empiricus Research em relatório divulgado nesta terça-feira.
A boa notícia é que o momento é favorável. A safra de grãos 2026/2027 deve ser recorde, com produção estimada de 340 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), um crescimento de 8% sobre o ciclo anterior. Isso deve manter os preços das terras agrícolas em alta e os arrendamentos rentáveis, sustentando os rendimentos dos fundos.
Para o pequeno investidor, os Fiagros são uma porta de entrada para o agronegócio com valores a partir de R$ 100, por meio de cotas fracionadas. Plataformas como a B3 e corretoras têm facilitado o acesso, mas a recomendação é sempre estudar o regulamento do fundo e a qualidade dos ativos.
Enquanto isso, os FIIs tradicionais, que dominaram as carteiras por anos, enfrentam desafios com a vacância de lajes corporativas e a alta dos juros. O índice Ifix, que mede o desempenho dos FIIs, acumula alta de apenas 2% no trimestre, enquanto os Fiagros sobem 18%. A virada é notável e o mercado já fala em uma nova era para o agro listado.
Agora, a pergunta que fica é: os Fiagros vão sustentar esse ritmo ou é apenas um modismo? Para muitos analistas, o segmento veio para ficar, mas com a mesma recomendação de sempre: moderação e diversificação.


