Curiosidades

Falência silenciosa: o magnata que perdeu R$ 2 bilhões em 90 dias

Empresário do setor de tecnologia, dono de coberturas em São Paulo e Miami, viu seu império ruir após uma aposta ousada. Entenda como a dívida virou uma bola de neve.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Falência silenciosa: o magnata que perdeu R$ 2 bilhões em 90 dias

Aos 54 anos, Carlos Eduardo Menezes, fundador da fintech PayNorte, era o símbolo do novo rico brasileiro: cobertura no Jardim Europa, mansão em Miami e participação em uma SAF de futebol. Nesta semana, porém, a 1ª Vara de Falências de São Paulo decretou a quebra de sua holding, a Menezes Participações, com dívidas que somam R$ 2,1 bilhões. A queda foi tão rápida que pegou o mercado de surpresa.

O estopim foi a aquisição, em abril, de uma carteira de crédito imobiliário da incorporadora Velaz, avaliada em R$ 1,3 bilhão. Para fechar o negócio, Menezes tomou um empréstimo-ponte de R$ 900 milhões no mercado de capitais, com vencimento em agosto. A aposta era que a inadimplência da carteira ficasse abaixo de 3%, mas, com a Selic a 13,75% ao ano (mantida no último Copom, em julho), os calotes dispararam para 11% em apenas dois meses.

O rombo se agravou com a desvalorização das cotas de fundos imobiliários de tijolo, que caíram em média 7% no trimestre, segundo a Anbima. Menezes usou seus FIIs como garantia do empréstimo, e as margens foram estouradas. Em vez de renegociar, ele tentou rolar a dívida com um novo CRI, que a Secovi aponta ter sido o maior lançamento do semestre — mas o papel não foi integralizado, e a confiança do mercado evaporou.

A trajetória de Menezes é um estudo de caso de ascensão e queda. Em 2021, ele era o 87º homem mais rico do Brasil, com patrimônio de R$ 4,5 bilhões. A PayNorte chegou a valer R$ 6 bilhões em uma rodada de investimentos, com participação de fundos americanos. Mas o crescimento acelerado foi sustentado por dívidas de curto prazo: em 2024, a alavancagem da holding já era de 5x o patrimônio, um nível que o Banco Central passou a monitorar de perto.

Vídeo relacionado

O caso reacende o alerta para investidores de FIIs e CRIs: a exposição a empresas com alta alavancagem pode gerar perdas repentinas. No último mês, a cota de dois fundos ligados a Menezes despencou 22%, e os cotistas que não venderam a tempo amargam prejuízos. Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária recomendam diversificar e desconfiar de yields acima de 12%, que muitas vezes escondem riscos de crédito.

Menezes, que não se manifestou publicamente, teve seus bens bloqueados pela Justiça, incluindo a cobertura no Jardim Europa e o jatinho Cessna. A falência de sua holding é uma das maiores do ano no setor, superando a da construtora Atlas, que encerrou suas atividades em maio com R$ 1,8 bilhão em dívidas. Para o mercado, fica a lição: em tempos de juros altos, o que sobe rápido pode desabar mais rápido ainda.

Se você investe em FIIs ou conhece alguém que estava exposto, este é o momento de revisar a carteira. A Justiça ainda vai decidir sobre a venda dos ativos, e o processo pode se arrastar por anos. Mas, para os credores, a recuperação deve ser parcial: estima-se que apenas 40% das dívidas sejam pagas com a liquidação do patrimônio.

#falência#magnata#dívidas#fintech#mercado imobiliário
0 comentário(s)

Comentários

para comentar.

    Continue lendo