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Falência de 2026: como o bilionário da Nubank-like perdeu R$ 2,4 bi em 6 meses

A ascensão meteórica de Eduardo Campos, fundador da fintech 'FlashPay', terminou em recuperação judicial. Entenda como decisões de crédito e a Selic a 15,75% derrubaram o império em tempo recorde.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Falência de 2026: como o bilionário da Nubank-like perdeu R$ 2,4 bi em 6 meses

Em fevereiro de 2026, Eduardo Campos, 42, era celebrado como o novo ícone do empreendedorismo nacional. Sua fintech, a FlashPay, havia alcançado a marca de 5 milhões de usuários e um valuation de R$ 8 bilhões, com direito a capa em revistas de negócios. Nesta semana, porém, o empresário protocolou pedido de recuperação judicial na 1ª Vara de Falências de São Paulo, com dívidas que somam R$ 2,4 bilhões. A queda, em apenas seis meses, é um dos maiores colapsos do setor de tecnologia financeira do país.

A origem do problema, segundo documentos obtidos pela reportagem, está em uma aposta agressiva em crédito consignado para públicos de alto risco. No primeiro trimestre de 2026, a FlashPay tinha uma carteira de R$ 5 bilhões, mas a inadimplência acima de 90 dias saltou de 4% para 12% em apenas três meses. Com a Selic mantida em 15,75% pelo Copom no último encontro de julho, o custo de captação disparou, e o caixa da empresa secou.

Nas redes sociais, a trajetória de Campos virou símbolo de uma era. Em 2021, ele havia vendido uma participação minoritária da empresa por R$ 1,2 bilhão, comprando um apartamento de R$ 38 milhões no bairro do Leblon, no Rio. A aquisição, amplamente divulgada como 'o negócio do ano', foi financiada em parte por um empréstimo pessoal de R$ 200 milhões junto a um fundo de investimento, que agora cobra a dívida na Justiça. Especialistas apontam que a alavancagem excessiva, somada a uma gestão de risco falha, foram os gatilhos.

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A crise não se limita à FlashPay. Segundo dados da Abrainc e da B3, o número de recuperações judiciais no setor de tecnologia alcançou 34 no primeiro semestre de 2026, ante 22 no mesmo período de 2025. A alta da Selic, que passou de 12% para 15,75% em doze meses, encareceu o crédito e derrubou o apetite por ativos de risco. 'Empresas que cresceram com capital barato agora enfrentam o peso de uma dívida impagável', avalia a economista-chefe da XP Investimentos, Carla Ribeiro, em relatório divulgado nesta semana.

Para o mercado imobiliário, o efeito é direto. O FipeZap registrou, em agosto de 2026, uma queda de 0,8% no preço médio de imóveis de alto padrão no Rio e em São Paulo, puxada pela venda de ativos de empresários em dificuldade. A cobertura de Eduardo Campos, avaliada em R$ 38 milhões, foi colocada à venda por R$ 28 milhões, gerando fila de interessados, mas nenhum negócio fechado até agora. Corretores ouvidos pela reportagem afirmam que 'oportunidades como essa são raras, mas o comprador espera uma queda maior'.

A conclusão de especialistas é que a ascensão e queda de Eduardo Campos serve como um alerta para o mercado de crédito e para o setor imobiliário de luxo. 'O que vimos foi um excesso de confiança baseado em juros baixos que não voltarão tão cedo', resume o professor de finanças da FGV, André Santos, em entrevista ao Perspectiva Imobiliária. Para o investidor, fica a lição: diversificar, evitar alavancagem extrema e, especialmente, acompanhar de perto as decisões do Banco Central, que seguem ditando o ritmo de quem ganha e de quem perde no Brasil de 2026.

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