Esta cidade paga R$ 2.000 mensais para novos moradores; veja as regras
Programa lançado neste mês oferece auxílio por 24 meses e isenção de impostos para famílias que se mudarem até dezembro — entenda quem pode participar.

A pequena cidade de Candói, no interior do Paraná, virou manchete internacional nesta semana ao lançar um programa que paga R$ 2.000 por mês para famílias que aceitem se mudar para o município. O incentivo, batizado de 'Morar em Candói', tem duração de dois anos e está disponível para trabalhadores remotos, aposentados e profissionais de saúde que queiram fugir dos grandes centros.
A prefeitura local informou que o objetivo é reverter o declínio populacional registrado desde o Censo de 2022, quando a cidade tinha 15.400 habitantes. Segundo o levantamento mais recente do IBGE, divulgado em março deste ano, a população caiu para 14.870 — uma queda de 3,4% em quatro anos, impulsionada pela migração de jovens para Curitiba e Londrina.
O programa, aprovado pela Câmara Municipal no último dia 10, exige que os interessados tenham renda comprovada de pelo menos R$ 5.500 mensais e adquiram ou aluguem um imóvel por um período mínimo de 5 anos. Além do dinheiro, os novos moradores ficam isentos de IPTU por uma década e recebem desconto de 50% na conta de energia elétrica nos primeiros 12 meses.
A seleção começa em setembro, com mil vagas abertas. Segundo a prefeitura, já são mais de 3.200 inscrições online, a maioria de São Paulo e do Distrito Federal. 'Estamos recebendo currículos de profissionais de tecnologia que trabalham remotamente e buscam qualidade de vida a um custo menor', disse o secretário de Desenvolvimento Econômico, em entrevista à rádio local.
Casos semelhantes têm se multiplicado no mundo. Na Itália, a região da Calábria paga até € 28.000 para quem compra casa em vilarejos com menos de 2 mil habitantes, e o Japão oferece terrenos quase gratuitos em cidades como Arita. No Brasil, Candói é a primeira cidade a adotar um modelo com pagamento mensal fixo, o que chama atenção de urbanistas e economistas.
Para a economista Carla Mendes, do Instituto de Estudos Urbanos de Curitiba, o programa pode ser 'uma solução criativa para o esvaziamento do interior, mas precisa ser sustentável a longo prazo'. Ela destaca que o custo estimado de R$ 24 milhões por ano é equivalente a 18% do orçamento municipal para 2026, e que a prefeitura precisará gerar empregos locais para reter esses moradores após o fim do auxílio.
Se você tem interesse em participar, o edital completo está no site da prefeitura de Candói e as inscrições vão até 30 de setembro. A dica é correr: as vagas são limitadas e a procura, ao que tudo indica, será alta.


