Disputa bilionária: herança de Silvio Santos chega à Justiça com R$ 2,4 bi em imóveis
A briga pela holding da família Abravanel expõe conflitos entre as herdeiras e pode redefinir o mercado de galpões e terrenos em SP. Entenda o que está em jogo.

A herança de Silvio Santos, avaliada em mais de R$ 2,4 bilhões apenas em imóveis, virou o centro de uma disputa judicial que começou nesta semana. O caso, que corre em segredo de Justiça na 2ª Vara de Família de São Paulo, envolve as seis filhas do apresentador e a madrasta, Íris Abravanel, e tem como pano de fundo a holding familiar que controla o SBT e um vasto patrimônio imobiliário espalhado pela capital paulista.
Segundo documentos obtidos pelo Perspectiva Imobiliária, a discórdia começou após a divulgação do testamento, que deixou a maior parte dos bens para a esposa e as filhas, mas com cláusulas de usufruto vitalício que geraram interpretações divergentes. Enquanto isso, o inventário, aberto em 2024, ainda não foi concluído, e os herdeiros já negociam a venda de alguns ativos para pagar o ITCMD, imposto que pode chegar a R$ 180 milhões.
O patrimônio inclui desde o prédio do SBT, na Vila Guilherme, avaliado em R$ 1,2 bilhão, até terrenos na Grande São Paulo e no interior, muitos deles adquiridos nas décadas de 1980 e 1990. Dados do Secovi-SP indicam que só a valorização dessas áreas nos últimos dois anos foi de 18%, influenciada pelo boom de centros logísticos na região metropolitana.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o caso pode se arrastar por anos, como ocorreu com outras heranças bilionárias no país. 'Quando há holding familiar, a briga não é só pelos imóveis, mas pelo controle das decisões de venda e locação', explica a advogada Maria Helena Ribeiro, do escritório Ribeiro & Associados. 'Isso pode gerar uma guerra de avaliações e até a intervenção do juiz na administração dos bens'.
No mercado, a expectativa é que parte desses ativos seja vendida nos próximos meses para viabilizar o pagamento de impostos e dívidas da holding. Corretores de alto padrão já relatam sondagens de fundos imobiliários interessados nos galpões da região de Osasco, o que pode injetar até R$ 400 milhões no mercado de imóveis comerciais neste trimestre.
Enquanto a Justiça não bate o martelo, as herdeiras, em nota conjunta, afirmam que 'a união da família está preservada' e que as divergências são meramente técnicas. Mas bastidores dão conta de que a briga pelo controle do Baú e do SBT já afetou até a renovação de contratos de locação de algumas lojas.
Para investidores, o caso serve de alerta sobre a importância do planejamento sucessório. 'Quem tem patrimônio imobiliário relevante deveria estruturar holding, seguro de vida ou doações em vida para evitar que os herdeiros fiquem reféns de disputas que desvalorizam os ativos', recomenda o consultor financeiro Ricardo Santana, da Planejar.
A próxima audiência está marcada para 15 de setembro, e o mercado imobiliário paulista acompanha de perto: qualquer decisão sobre a partilha pode movimentar bilhões e redefinir o preço do metro quadrado em regiões inteiras da cidade.


