Copom surpreende e taxa do imóvel sobe 0,5% já nesta semana
Decisão da última reunião eleva juros do crédito imobiliário; veja como fica a parcela na prática e quais bancos ainda oferecem taxas menores.

O Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu o mercado na última quarta-feira ao elevar a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 12,75% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes que vinha desde o início do ano. A decisão, anunciada após dois dias de reunião, já provoca efeitos imediatos no crédito imobiliário: segundo levantamento da Abrainc e do Banco Central, os juros médios dos financiamentos subiram de 10,4% para 10,9% ao ano em apenas três dias úteis.
Para quem está no mercado, o impacto é direto. Um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos, com a taxa média de 10,9%, tem parcela de aproximadamente R$ 4.637, ante R$ 4.502 antes da alta — um acréscimo de R$ 135 por mês, ou R$ 48,6 mil ao longo do contrato. A elevação, embora pareça modesta, ocorre em um momento de alta demanda: as vendas de imóveis novos cresceram 8% no segundo trimestre, segundo a Abrainc, e a oferta de crédito está mais enxuta.
A decisão do Copom foi influenciada pela inflação de serviços, que fechou julho em 5,2% no acumulado de 12 meses, acima da meta de 4,5%. O comunicado do comitê destacou que a pausa no ciclo de cortes é necessária para ancorar as expectativas, mas economistas do Itaú e da XP projetam novas altas em setembro, o que pode elevar a Selic para 13,25% até o fim do ano.
Para o setor imobiliário, o momento é de cautela. A Caixa Econômica Federal, maior agente do mercado, ainda não repassou integralmente a alta para suas tabelas, mas a tendência é que novos contratos sejam assinados com taxas maiores. As construtoras, por sua vez, começam a oferecer condições especiais para quitar parte do imóvel com recursos próprios, tentando diminuir o impacto do financiamento.
Vale lembrar que a alta dos juros não atinge apenas os compradores. Incorporadoras com dívidas atreladas ao CDI já sentem o custo maior, e a Secovi-SP projeta uma retração de até 3% nos lançamentos no quarto trimestre. Especialistas orientam quem está em dúvida: se o financiamento já foi aprovado, vale assinar antes que os bancos repassem integralmente a nova taxa; quem não tem pressa, pode esperar uma reação do mercado, mas sem garantia de congelamento.
O Banco Central, em nota técnica divulgada nesta sexta-feira, defendeu que a alta é temporária e que o crédito imobiliário deve seguir competitivo, citando a redução da inadimplência para 2,1% no trimestre. Ainda assim, a realidade prática é uma só: o custo da casa própria subiu, e o comprador precisa refazer as contas.


