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Copom surpreende e eleva Selic a 15,75%: como isso afeta seu financiamento imobiliário

A decisão do Banco Central nesta quarta-feira (12) elevou a taxa básica para 15,75% ao ano. Para quem comprou imóvel com financiamento pós-fixado, a parcela pode subir até R$ 1.200; veja o impacto no seu bolso.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Copom surpreende e eleva Selic a 15,75%: como isso afeta seu financiamento imobiliário

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou nesta quarta-feira (12) a quinta alta consecutiva da taxa Selic, que passou de 15,25% para 15,75% ao ano. A decisão veio em linha com o mercado, mas os investidores reagiram com cautela, pois o comunicado indicou que novas elevações podem ocorrer nas próximas reuniões. Para o setor imobiliário, esse é o maior nível da taxa básica desde setembro de 2016, quando atingiu 16,50%.

O impacto direto é no crédito imobiliário, especialmente nas linhas pós-fixadas (TR + taxa contratada) e no crédito atrelado ao CDI. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), a taxa média dos financiamentos imobiliários com recursos da poupança já subiu para 11,9% ao ano em julho, ante 11,2% em maio. Com a nova Selic, projeções da Abrainc indicam que essa média pode chegar a 12,4% ao ano até setembro.

Para um financiamento de R$ 600 mil em 30 anos, cada ponto percentual de alta na taxa representa um acréscimo de aproximadamente R$ 350 na parcela. Ou seja, quem contratou um empréstimo pós-fixado no início do ano, quando a taxa estava em 10,5% ao ano, pode estar pagando hoje cerca de R$ 1.200 a mais por mês. Esse dado foi calculado pelo economista-chefe da Secovi-SP, Celso Petrucci, com base nas tabelas Price e SAC.

A alta da Selic também pressiona os preços dos imóveis. O Índice FipeZap, que acompanha os preços de venda em 50 cidades, apontou uma valorização de 0,6% em julho, mas o movimento já perde força. Segundo o último relatório da Abrainc, o volume de lançamentos no segundo trimestre de 2026 caiu 8% em relação ao primeiro trimestre, e as vendas de imóveis novos recuaram 5% no mesmo período, reflexo do custo do crédito.

No entanto, nem todos os financiamentos seguem a Selic. As linhas com recursos do FGTS, que atendem a famílias com renda de até R$ 8 mil, mantêm juros médios de 9,5% ao ano, mas o prazo máximo foi reduzido de 35 para 30 anos. Já os financiamentos com juros prefixados estão escassos: os bancos privados estão oferecendo taxas pré-fixadas acima de 13% ao ano, quando em janeiro estavam em 11,5%. Segundo o Banco Central, o estoque total de crédito imobiliário cresceu apenas 1,2% no primeiro semestre, o menor ritmo desde 2017.

A recomendação dos especialistas é evitar novas dívidas pós-fixadas e, se possível, renegociar o contrato para taxas fixas ou com prazos menores. O momento também exige atenção ao usar o FGTS: a nova regra, que entra em vigor em 30 dias, limita o uso do saldo para amortização de financiamentos, segundo o Conselho Curador do FGTS. Quem pretende comprar imóvel neste segundo semestre deve acelerar a contratação, pois as condições podem piorar ainda mais na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 16 e 17 de setembro.

Enquanto o Banco Central não sinalizar um pouso suave, o crédito imobiliário continuará caro. Mas para quem tem recursos próprios, a crise pode ser uma oportunidade: os preços estão estáveis e os vendedores mais flexíveis a negociações à vista, como mostram dados do Secovi-SP. O conselho é fazer as contas com calma e não comprometer mais de 30% da renda com a parcela.

#Selic#Copom#crédito imobiliário#Banco Central
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