Copom sobe Selic a 16,75% e parcela da casa própria dispara R$ 1.230
Com a nova alta desta semana, financiamento de R$ 500 mil em 30 anos sobe de R$ 7.210 para R$ 8.440 por mês. Veja quem ainda consegue um bom negócio.

O Banco Central elevou a taxa Selic em 0,75 ponto percentual na reunião do Copom encerrada nesta quarta-feira (5), levando os juros básicos a 16,75% ao ano — o maior patamar desde outubro de 2023. A decisão, que surpreendeu parte do mercado, já tem efeito direto no bolso de quem financia um imóvel: a parcela média de um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos saltou de R$ 7.210 para R$ 8.440 por mês, um acréscimo de R$ 1.230, segundo simulações da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
A alta veio em um contexto de inflação teimosa — o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 6,4% em julho, bem acima do teto da meta de 4,5% — e de um real pressionado, que fechou o mês passado cotado a R$ 6,20. Para o economista-chefe da XP, Caio Megale, o Copom optou por um aperto mais forte justamente para ancorar as expectativas de longo prazo. "O mercado já precificava uma alta de 0,5 ponto, mas os dados de atividade e a desancoragem das expectativas fizeram o comitê agir com mais força", afirmou.
O impacto no setor imobiliário não é homogêneo. Enquanto os financiamentos pela poupança (cuja taxa média está em 12,3% ao ano) encareceram na ponta, os contratos com recursos do FGTS — que respondem por cerca de 70% dos financiamentos para baixa renda — ainda operam com juros de até 8,5% ao ano, graças ao subsídio do governo. "Quem consegue se enquadrar no programa Minha Casa, Minha Vida ainda encontra condições atrativas. O problema é quem precisa de crédito na faixa de mercado", explica o consultor imobiliário Fábio Tadeu Araújo, da Brain Inteligência Estratégica.
Mas há um efeito colateral: as vendas de imóveis de médio e alto padrão, que vinham crescendo 12% no trimestre, devem desacelerar. A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) já projeta uma queda de 5% a 8% nas vendas de imóveis acima de R$ 800 mil no segundo semestre. "Quando o custo do crédito sobe, o comprador de alta renda simplesmente adia a decisão ou negocia descontos maiores. O mercado de luxo sente primeiro", avalia o presidente da entidade, Luiz França.
Para quem já tem contrato assinado, a notícia é menos ruim: a maioria dos financiamentos usa taxa fixa ou o índice de correção por TR, que não acompanha a Selic imediatamente. Mas quem está no regime de taxa flutuante, comum em contratos antigos, verá a parcela subir já na próxima cobrança. Especialistas recomendam revisar o contrato e, se possível, buscar a portabilidade para uma linha com juros menores.
A próxima reunião do Copom, marcada para os dias 16 e 17 de setembro, será decisiva. O mercado está dividido: 60% dos analistas consultados pela Anbima esperam nova alta de 0,5 ponto, enquanto os demais apostam em manutenção. "Se a inflação continuar pressionada, a Selic deve chegar a 18% até o fim do ano. Isso elevaria a parcela do mesmo financiamento para R$ 9.150", projeta Megale.
Enquanto isso, o Banco Central reforçou que a política monetária "não tem viés específico" e dependerá dos dados. Para o comprador de imóvel, a mensagem é clara: se está esperando juros baixos, o sonho não é para 2026. Mas quem tem pressa e consegue enquadrar no FGTS pode aproveitar as condições atuais antes que o Copom aperte ainda mais o cinto.


