Política

Copom elevou Selic a 14,25%: como isso impacta seu financiamento imobiliário?

Com a alta de 0,5 ponto no último Copom, a parcela de um imóvel de R$ 500 mil pode subir até R$ 1.200 por mês. Veja quem consegue escapar do aperto.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Copom elevou Selic a 14,25%: como isso impacta seu financiamento imobiliário?

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na última terça-feira, elevar a taxa Selic para 14,25% ao ano, interrompendo um ciclo de quedas que durou dois trimestres. A decisão, unânime, foi justificada pela aceleração da inflação de serviços e pela desancoragem das expectativas para 2027. Para o mercado imobiliário, o efeito é imediato: o crédito imobiliário fica mais caro e as condições de financiamento, mais restritas.

Segundo dados da Abrainc, a taxa média de juros para financiamento imobiliário com recursos da poupança subiu de 10,9% para 11,4% ao ano nas últimas duas semanas, refletindo a curva de juros futuros. Em um financiamento de R$ 500 mil em 35 anos, essa diferença representa um acréscimo de aproximadamente R$ 320 na parcela mensal. Quem ainda não contratou o crédito precisa correr, pois os bancos já estão reprecificando as taxas.

O impacto não é só para novos financiamentos. Contratos com taxa pós-fixada (TR + spread) também sentirão o aumento, já que a TR tende a subir com a Selic. O economista-chefe da Secovi-SP, André Gonçalves, alerta: “A alta da Selic encarece o custo de captação dos bancos, que repassam para o consumidor. O momento é de negociação: muitas incorporadoras estão oferecendo subsídios ou condições especiais para fechar vendas neste trimestre”.

No entanto, nem tudo é negativo. Com a Selic mais alta, a caderneta de poupança volta a render mais, o que pode atrair novos depósitos e, por consequência, aumentar o volume de recursos para o crédito imobiliário a longo prazo. O Banco Central, em seu último relatório de estabilidade financeira, destacou que o estoque de financiamentos imobiliários cresceu 8% no primeiro semestre, puxado pelo programa Minha Casa, Minha Vida, que segue com taxas subsidiadas.

Para quem está pensando em comprar, a dica é pesquisar: as taxas variam muito entre bancos. Enquanto alguns já aplicam 12,5% ao ano, outros ainda trabalham com 11% para bons pagadores. Além disso, o FGTS pode ser usado para reduzir o valor financiado, como alerta a Caixa: em até 30 dias, novas regras de uso do FGTS para amortização devem ser anunciadas, o que pode aliviar o bolso de quem está na fase de contratação.

A decisão do Copom também afeta os investidores. Fundos imobiliários de papel, que investem em CRIs, tendem a se beneficiar da alta dos juros, enquanto os fundos de tijolo podem sofrer com a desaceleração das vendas. O índice de fundos imobiliários da B3 caiu 2,5% na semana, mas analistas veem oportunidade de compra em ativos com contratos atrelados à inflação.

Para os próximos meses, a expectativa é de novas altas. O boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, projeta Selic em 15% até o fim do ano. Se isso se confirmar, o custo do crédito imobiliário pode subir ainda mais. A recomendação é clara: quem pode comprar agora, deve aproveitar as condições atuais, antes que o aperto fique ainda maior.

#Selic#Copom#crédito imobiliário#financiamento#Banco Central
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