Política

Copom eleva Selic a 23,25% e trava crédito imobiliário; veja o impacto na parcela

A alta de 0,5 ponto no último Copom, a quarta consecutiva, deve encarecer em até R$ 480 a parcela de um financiamento de R$ 500 mil. Entenda o que muda para novos contratos.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Copom eleva Selic a 23,25% e trava crédito imobiliário; veja o impacto na parcela

O Banco Central anunciou, na última quarta-feira, a quarta alta consecutiva da Selic, levando a taxa básica a 23,25% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade no Copom, surpreendeu parte do mercado e já provocou efeitos imediatos no custo do crédito imobiliário. Com a nova taxa, os bancos começaram a repassar o aumento para as linhas de financiamento, tornando mais caro o sonho da casa própria.

Segundo dados da Abrainc divulgados nesta semana, o volume de financiamentos imobiliários com recursos da poupança caiu 12% no segundo trimestre, e a tendência é de nova retração no terceiro. O custo médio do crédito subiu de 10,9% para 12,3% ao ano entre janeiro e julho, de acordo com o Banco Central. Na prática, um financiamento de R$ 500 mil em 360 meses, com taxa de 12,3%, tem parcela de R$ 5.106 — cerca de R$ 480 a mais do que a parcela com a taxa de juros praticada no início do ano.

A alta da Selic também impacta os fundos imobiliários (FIIs) e os investidores que buscam renda com aluguel. Com os juros reais elevados, os FIIs de papel, atrelados a títulos de renda fixa, tendem a se beneficiar, mas os fundos de tijolo, que dependem de locação e venda de imóveis, sofrem com a desaceleração do setor. O índice de preços monitorado pelo FipeZap mostrou, em julho, uma alta de apenas 0,4% nos preços dos imóveis, a menor variação do ano.

Para o mercado, a mensagem do Copom é clara: o controle da inflação continua sendo a prioridade, mesmo que isso signifique sacrificar o crescimento do setor imobiliário. O comunicado destacou que a decisão considera a "deterioração das expectativas de inflação" e a "resiliência da atividade econômica". Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que, se a inflação não ceder, a Selic pode chegar a 24% ainda neste ano, o que pressionaria ainda mais as taxas dos financiamentos.

A Caixa Econômica Federal, maior banco de crédito imobiliário do país, já anunciou que vai repassar a alta para as novas contratações a partir deste mês. O banco, no entanto, mantém as linhas com recursos do FGTS, que têm taxas mais baixas, mas com teto de financiamento de R$ 1,5 milhão e limites para imóveis usados. Para quem está pensando em comprar, a orientação é simular com diferentes bancos e considerar o uso do FGTS como entrada.

Por outro lado, a alta dos juros pode abrir oportunidades para quem tem capital próprio. O rendimento de títulos públicos prefixados e atrelados à inflação está em níveis muito atrativos, e comprar imóveis à vista ou com baixo financiamento pode se tornar um bom negócio para investidores de longo prazo. Mas, para a maioria dos brasileiros, o crédito mais caro significa a necessidade de planejamento e, talvez, a espera por um ciclo de queda da Selic, que o mercado projeta para o primeiro semestre de 2027.

Acompanhe as próximas reuniões do Copom e os indicadores de inflação para saber quando os juros vão começar a cair. Um novo aperto monetário pode estar a caminho, e o impacto no seu bolso pode ser ainda maior.

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