Política

Copom eleva Selic a 16,5% e financiamento imobiliário fica R$ 840 mais caro

Com a nova alta de 0,5 ponto, parcela de imóvel de R$ 500 mil sobe em 12 meses. Veja como proteger seu contrato e quem consegue escapar do aperto.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Copom eleva Selic a 16,5% e financiamento imobiliário fica R$ 840 mais caro

A decisão do Copom desta semana elevou a Selic para 16,5% ao ano, o maior patamar desde 2016. O impacto no bolso de quem financia um imóvel é imediato: para um apartamento de R$ 500 mil financiado em 30 anos, a parcela mensal média sobe R$ 840, considerando a taxa média do crédito imobiliário, que já alcança 13,9% ao ano, segundo dados da Abrainc divulgados nesta quinta-feira.

A alta veio após dois meses de expectativa do mercado. O Banco Central, sob o comando de Gabriel Galípolo, sinalizou que deve manter o aperto até o fim do ano, citando a inflação de alimentos e a desancoragem das expectativas. Para o setor imobiliário, o efeito é duplo: encarece o crédito e reduz a liquidez, já que os bancos migram recursos para títulos públicos.

Levantamento do FipeZap desta semana mostra que, enquanto a Selic subia, os preços de imóveis em 50 cidades subiram apenas 0,8% no trimestre, bem abaixo da inflação. Isso indica que o vendedor já está absorvendo o choque, mas o comprador ainda sente a mordida na hora de fechar o contrato.

A Caixa Econômica Federal, que responde por 70% do crédito imobiliário no país, anunciou que vai manter a linha com recursos da poupança, mas com juros maiores. Quem usou o FGTS pode ter um alívio: a nova regra, que vale desde o mês passado, permite usar até 30% do saldo para amortizar o saldo devedor sem perder o acesso ao financiamento.

Especialistas ouvidos pela reportagem recomendam que quem está no meio de um processo de compra negocie a taxa prefixada antes do próximo Copom, previsto para setembro. Outra estratégia é optar por contratos com taxa pós-fixada, que hoje podem ser mais vantajosos se o Banco Central reverte o ciclo no próximo ano.

Para o segundo semestre, a projeção do Secovi-SP é de queda de 15% nas vendas de imóveis novos na capital, pressionadas pelo custo do dinheiro. No entanto, imóveis de alto padrão, com pagamento à vista, seguem aquecidos, puxados por investidores estrangeiros que aproveitam o câmbio.

O Copom deixou claro que a prioridade é controlar a inflação, mesmo que isso custe caro ao setor imobiliário. A pergunta que fica é: até quando o brasileiro vai conseguir pagar o sonho da casa própria? A resposta pode vir no próximo comunicado, mas as parcelas já mostram o tamanho do aperto.

#Copom#Selic#crédito imobiliário
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