Copom eleva Selic a 15,25% e parcela sobe R$ 412
Decisão do Banco Central desta semana encarece financiamento imobiliário em até R$ 412 por mês para quem vai comprar imóvel de R$ 500 mil. Veja como escapar do aperto.

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou nesta quarta-feira (19) a elevação da Selic para 15,25% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes iniciado em março. A decisão, que surpreendeu parte do mercado, foi justificada pela aceleração da inflação de serviços e pela pressão cambial. Para o setor imobiliário, o impacto é imediato: as taxas de financiamento, que vinham caindo, voltaram a subir, encarecendo a parcela média de quem pretende comprar imóvel nos próximos meses.
Segundo cálculos da Abrainc, para um financiamento de R$ 400 mil em 30 anos, a alta de 1 ponto percentual na Selic eleva a parcela inicial em cerca de R$ 412. Isso significa que, em um imóvel de R$ 500 mil, com entrada de 20%, o comprador desembolsará R$ 412 a mais por mês, o que equivale a um aumento de quase 8% no custo mensal. "Cada ponto percentual na Selic tem efeito direto no bolso do comprador", afirma José Carlos Martins, presidente da Abrainc.
O movimento do Banco Central contrasta com o cenário do início do ano, quando a autoridade monetária vinha cortando juros para estimular a economia. No entanto, a alta do dólar e a inflação de alimentos e energia no segundo trimestre forçaram uma revisão. "A política monetária precisa ser austera para ancorar as expectativas", justificou o presidente do BC, Roberto Campos Neto, em comunicado oficial. A decisão foi unânime.
Para o crédito imobiliário, o efeito é duplo: além do custo maior, há também uma redução na oferta de linhas. Bancos privados já sinalizaram que devem diminuir o ritmo de concessão, priorizando clientes com renda mais alta. Já a Caixa Econômica Federal, que responde por cerca de 70% dos financiamentos com recursos da poupança, deve manter as taxas, mas com exigências mais rígidas de entrada.
O especialista em crédito imobiliário, João Pedro Melo, da consultoria Realty, recomenda que quem está em fase de negociação aproveite as condições atuais, pois as taxas devem continuar pressionadas. "Se você já tem o contrato em andamento, feche o quanto antes. Se está planejando, avalie linhas com taxa prefixada e busque bancos menores, que ainda têm espaço para negociar", diz.
No setor de lançamentos, a expectativa é de leve retração no segundo semestre. Segundo a Secovi-SP, as vendas de imóveis novos devem cair até 5% neste trimestre, comparado ao anterior, devido à alta dos juros. Por outro lado, o mercado de aluguel tende a se beneficiar, com maior demanda por locação.
A próxima reunião do Copom está marcada para outubro, e o mercado já precifica nova alta, o que pode levar a Selic a 15,50% até o fim do ano. Para quem depende de financiamento, a dica é simular diferentes cenários e avaliar a troca de modalidade, como o uso do FGTS para reduzir o saldo devedor. Em um cenário de juros elevados, o comprador precisa ser estratégico para não comprometer a renda.


